Por que os EUA intervém na América Latina?

2 mar

O infográfico abaixo mostra todas as intervenções americanas na América Latina entre 1898 e 1994. Nesse levantamento foram computadas apenas as intervenções que resultaram em mudança de regime. Foi feito também uma distinção entre intervenção direta (uso de forças armadas americanas, agentes da CIA ou cidadãos locais empregados pelos EUA) e indireta (apoio americano crucial).

Fonte: Gzero.

A questão que imediatamente se impõe, fonte de incontáveis teorias da conspiração, particularmente agora com o conflito na Venezuela, é: qual é a causa dessas intervenções? John H. Coatsworth, historiador especialista sobre a América Latina e autor do presente estudo, oferece uma resposta baseada em dados, não em achismos político-partidários, cuja tradução reproduzo abaixo.

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Três ideias da probabilidade e estatística para céticos

13 fev

O ceticismo pode ser considerado um posicionamento filosófico que advoga pelas limitações do conhecimento, seja em razão da inacessibilidade do seu objeto ou das próprias limitações da mente humana. Na ciência o ceticismo está relacionado ao apreço pelo teste da confiabilidade de determinadas crenças, através de uma investigação sistemática segundo o método científico e posterior descoberta de evidências empíricas que corroboram ou contestam tais crenças. Já conforme o senso comum, uma pessoa cética seria alguém que demonstra atitudes questionadoras. Sendo assim, aquele que busca emular o pensamento cético na própria vida pode fazer uso de alguns conceitos da matemática para avaliar quaisquer crenças ou afirmações. Dois ramos da área mostram-se fontes especialmente úteis para heurísticas (regras de bolso) com essa finalidade: a probabilidade e a estatística. Afinal, tal como escreveu Garrett Hardin, as origens das ciências mostram que uma atitude respeitosa diante de razões, proporções e taxas levaram à algumas das maiores descobertas da humanidade.

Portanto, neste artigo quero construir o alicerce da discussão apresentando as diferenças fundamentais entre probabilidade e estatística. A partir disso, três ideias específicas são exploradas com a finalidade de aprimorar o repertório analítico do leitor, sendo elas: i) o raciocínio bayesiano, uma heurística que consiste em estimar probabilidades e revisá-las diante de novas informações e evidências; ii) o conceito de risco, sua relação com probabilidades, quais as consequências da concretização dessas e como distinguir risco e incerteza; iii) e as metaprobabilidades, em outras palavras, o quão confiáveis são determinadas estimativas probabilísticas.

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O dia em que Russell desbancou Marx

23 jan

“Marx crê, é verdade, que capitalismo produz miséria, enquanto comunismo produzirá felicidade; ele odeia o capital com um ódio que frequentemente vicia sua lógica; mas repousa sua doutrina, não sobre a ‘justiça’ pregada pelos utopistas, não sobre o amor sentimental do homem, quem ele nunca menciona sem um escárnio imensurável, mas sobre a necessidade histórica somente, sobre o cego crescimento das forças produtivas, que deve, no fim, engolir o capitalista que foi compelido a produzi-las.”


Marx and the Theoretical Basis of Social Democracy, Bertrand Russell, 1896.

Essa observação, “[…] ele odeia o capital com um ódio que frequentemente vicia sua lógica […]”, foi feita por Bertrand Russell¹, filósofo e matemático britânico e se refere a Karl Marx, um dos notórios representantes do pensamento filosófico ocidental. Especificamente, Russell o analisava para investigar a validade de sua teoria econômica. Segundo ele, essa teoria, cujos pontos cardeais são a doutrina da mais-valia e a doutrina da concentração de capital, é falsa. Esses pontos não possuem relação de dependência, pelo contrário, a mais-valia aparenta ser uma tentativa de provar a maldade do capital, deixando de lado a consistência lógica e contradizendo a doutrina da concentração de capital. Apesar de seus vícios, a crença nas ideias econômicas de Marx é real, assim, obtêm importância prática, além de teórica e no limiar de ambos Bertrand Russell desvenda a lógica de Karl Marx.

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Anatomia de uma fake news anti-imigração

20 jan

Já que o pior da direita parece ter ganhado o seu lugar ao sol com o governo Bolsonaro, achei por bem traduzir e comentar um exemplo típico de teoria da conspiração que essa turma adora espalhar: a paranóia com refugiados imigrantes. Como veremos, não faltaram ataques à ONU, à saúde dos refugiados, ao globalismo, etc. Alguns destes inclusive já mencionados pelo novo ministro das relações exteriores, Ernesto Araújo.

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O que os populistas fazem às democracias

17 jan

De acordo com nosso estudo, governos populistas aprofundaram a corrupção, corroeram os direitos individuais e infligiram sérios danos às instituições democráticas.

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Será que o Glifosato está matando até quem ainda não nasceu no Piauí?

31 dez

Está circulando com força entre os meus contatos uma “notícia” do The Intercept com título “A cidade em que o agrotóxico Glifosato contamina o leite materno e mata até quem ainda não nasceu”.

Se esse título não fosse alarmante o suficiente, quando abrimos a notícia, aparece um outro título: “UM ABORTO A CADA QUATRO GRÁVIDAS”.

Junto comigo: “Oh…!” Assustador, não é?

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O centro pode aguentar: políticas públicas para uma era de extremos

28 dez

Fundado por libertários reformados, o Centro Niskanen é uma das minhas fontes favoritas sobre política econômica. São, dos que conheço, o think-tank que mais se mantém próximo às evidências, sem utopia ou extremismos de esquerda ou direita.

Nesse ensaio mais recente intitulado “O centro pode aguentar: políticas públicas para uma era de extremos” eles reafirmam os princípios testados e aprovados tanto do livre-mercado quanto do estado de bem-estar como a saída da polarização que atualmente intoxica e paralisa a política nos EUA.

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Falácias Lógicas, Fake News e Teorias da Conspiração

23 out

atual filme da corrida eleitoral brasileira pode ser classificado como terror ou comédia, dependendo do freguês. Se você costuma escolher aquilo que consome a partir de critérios racionais, científicos ou minimamente céticos, tenho más notícias. Suas escolhas reais serão escassas. Jair Bolsonaro simulou o próprio atentado para disfarçar um suposto câncer? Falso. Fernando Haddad criou o ‘kit gay’? Falso. Ursal? Falso. Ciro Gomes ajudou a fazer o Plano Real? Falso. João Amoêdo trabalha para George Soros? Falso. Qual a lógica por trás desse tipo de coisa? Continue lendo

Aborto – parte 1

15 set Situação legal do aborto

Um conflito de direitos

Imagine que você vai ao médico para uma visita de rotina, ele pede alguns exames e, quando você retorna com os resultados, ele informa que pediu alguns exames a mais porque está procurando alguém compatível para doar medula óssea a uma criança pequena que está no hospital. A criança pode morrer se não receber um transplante logo, e os exames indicam que você tem compatibilidade para ser doador.

“Mas é claro que eu doaria”, você deve estar pensando. Eu também penso assim, mas vamos fazer um experimento mental. Continue lendo

Precisa-se de números, paga-se bem

2 set

Mais de 300.000 adolescentes LGBTs, expulsos de casa por pais homofóbicos, vivem nas ruas ou em abrigos públicos nos Estados Unidos. 445 pessoas morreram pelo fato de serem homossexuais apenas no ano de 2017 no Brasil . Ocorrem cerca de 8.700 “feminicídios” por ano no Brasil. Entre 2014 e 2017, 126 mulheres morreram por serem homossexuais no Brasil. Pelo menos 91 morreram pelo mesmo motivo em 2018 [1][2][3][4][5].

Estas notícias foram transmitidas por grandes e respeitados veículos de comunicação: a Revista Galileu, o jornal britânico The Guardian, o canal de tv por assinatura Globo News e os portais Intercept Brasil e M de Mulher.

ALGUNS PROBLEMAS

Segundo os dados oficiais do Departamento de Habitação e Desenvolvimento Urbano dos EUA, o tamanho da população morando nas ruas ou em abrigos naquele país é de 550.000, dos quais cerca de 110.000 são crianças ou adolescentes. Além do mais, os dados oficiais apontam que a maioria dos jovens, adolescentes e crianças vivendo nas ruas ou em abrigos vivem com os próprios pais. O último Relatório de Avaliação Anual enviado pelo Departamento ao Congresso Americano aponta que o número total de pessoas com menos de 25 anos morando sem os pais nas ruas ou em abrigos públicos nos EUA não chega a 41.000 seres humanos. E não é remotamente concebível que estes todos tenham sido expulsos de casa pelos pais especificamente pelo fato de serem homossexuais [6]. Continue lendo