Ceticismo e Política

23 jan

Por Barry Fagin. Publicado originalmente na Skeptical Inquirer em Maio/Junho de 1997. 

Qual é a conexão entre ceticismo e política? Quais são as políticas apropriadas para um cético? Ser cético dita automaticamente a perspectiva política de alguém, ou há pontos de vista alternativos consistentes com o ceticismo?

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Em defesa do discurso de ódio

19 dez

Artigo da revista The Economist, publicado em 17/12/2016. Traduzido por André Luzardo.

Criminalizar a linguagem ofensiva só empodera os intolerantes

GEERT WILDERS, um político holandês, diz algumas coisas horríveis, inflamatórias. Ele chamou o Islã de “ideologia fascista” e se referiu a Muhammad, profeta do Islã, como “um demônio”. Ele também não é amigo da liberdade de expressão: quer proibir não só o Alcorão, mas também pregar em qualquer língua que não seja o Holandês. A The Economist deplora seus pontos de vista; mas ele deve ser autorizado a expressá-los. Continue lendo

Quem pode falar sobre discriminação social?

24 set

Faz algum tempo que tenho encontrado pessoas as quais, a fim de defender grupos socialmente discriminados, endossam duas posições:

a) Que somente grupos discriminados podem reconhecer o que é discriminação.

b) Portanto, que somente tais grupos podem fazer ciência a respeito da discriminação

Particularmente, entendo que tais posições são contraditórias, assim, este texto realizará uma crítica dessa contradição e tentará demonstrar como é possível superá-la e fazer ciência objetivamente e independentemente de quem sejamos.

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A incrível contribuição dos gatos amanteigados para a ciência física

17 set

Em física, chama-se “gato amanteigado” um tipo particular de experiência de pensamento. Uma experiência é dita de pensamento quando ela não requer observação real. Mas chega de definições abstratas, vamos explicar concretamente esses gatos amanteigados.

Vamos supor duas leis da natureza, supostamente consideradas válidas no momento que iniciamos essa experiência de pensamento: A primeira lei explica que um gato sempre cai nas suas pernas. A segunda nós ensina que canapés amanteigados caem sempre do lado da manteiga, principalmente se houver um carpete caro no chão. Vamos agora fazer uma experiência de pensamento puro, a partir da pergunta seguinte: Se colarmos um canapé amanteigado nas costas de um gato (com o lado amanteigado por cima), e se jogarmos esse sistema de uma altura razoável, como cairá no chão? É fácil entender que chegamos a uma contradição. Uma das duas leis, pelo menos, não será verificada pela experiência. A partir desse momento, temos várias possibilidades que nós levarão a um progresso científico: Continue lendo

As forças naturais desconhecidas (trecho) – Camille Flammarion

10 set

Aqui no Brasil Camille Flammarion jamais alcançou a mesma publicidade que Allan Kardec: enquanto todos nós (religiosos ou não) conhecemos bem o nome do fundador do espiritismo, poucos fora dos círculos espíritas hão de se recordar daqueles que estavam ao seu redor. Mas há diversos, e hoje compartilhamos aqui um texto (retirado do excelente Obras psicografadas) de um dos mais polêmicos deles.

Camille Flammarion foi astrônomo e divulgador científico com interesses variados a respeito de literatura e religião, tendo frequentado diversos círculos que realizavam experiências espirituais e também pesquisado longamente o assunto. Por algum tempo, ele fez parte do círculo de pesquisas de Kardec, de quem se tornou próximo, e é especificamente sobre esse período que trata o capítulo de As forças naturais desconhecidas que divulgamos hoje.

Embora possuísse diversos pensamentos e interesses comuns com Kardec, Flammarion tinha também um rigor científico admirável que o levou a fazer boas críticas ao método usado na confecção da codificação espírita e, igualmente, a fazer afirmações somente na medida em que tinha razões para tanto. Várias de suas críticas continuam atuais e interessantes, e a frequência com a qual admite os limites de suas hipóteses é uma bela demonstração de honestidade científica.

Aqueles que têm interesse em história da ciência e da religião, com efeito, encontrarão aí um bom material para o pensamento, quiçá, até divertimento.

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Zika Vírus: rumores e teorias que você deve duvidar

24 fev

O artigo publicado originalmente no The New York Times/Health, em 19 de fevereiro de 2016, faz um resumo simples e direto, que pode nos ajudar a interromper essa onda de boatos que correm nas redes sociais e que só colaboram para confundir a população em geral e dificultar o combate ao vírus de forma cientificamente comprovada.


Título original: Zika Virus Rumors and Theories That You Should Doubt

Embora não haja nenhuma prova absoluta de que o vírus Zika esteja por trás da onda de microcefalia no Brasil e surtos da síndrome de Guillain-Barré em seis países, as principais autoridades de saúde do mundo estão perto de afirmar que sim. Continue lendo

Grupo anti-OGM ataca o Aedes do bem

12 fev
A Oxitec, uma empresa britânica, vem testando no Brasil uma maneira de controlar a população do Aedes aegypti usando mosquitos machos geneticamente modificados.  A ideia é que esses machos quando soltos se reproduzirão com fêmeas no meio ambiente produzindo crias inviáveis. A técnica usada é a transgenia. Um gene produtor da proteína tTA é inserido no DNA do mosquito. Essa proteína desregula a expressão de outros genes  causando o mau funcionamento do organismo e por fim a morte. Porém o gene produtor da tTA pode ser “desativado” pela presença do antibiótico tetraciclina. Esse detalhe é importante, pois usando tetraciclina é que se garante que os mosquitos transgênicos machos consigam se desenvolver normalmente em laboratório até a soltura. A cria fecundada pelo mosquito transgênico herda o gene da tTA do pai, mas como ela cresce no meio ambiente (e não no laboratório) não é inoculada com tetraciclina e portanto não consegue se desenvolver. Além disso, a fêmea do Aedes geralmente se reproduz somente uma vez, garantindo que se ela o fizer com o macho transgênico toda sua prole será eliminada.
A ideia tem tudo para dar certo. A técnica transgênica é bem estabelecida, a tática ataca especificamente o Aedes sem destruir ou contaminar outros organismos como inseticidas inevitavelmente fazem e o mosquito macho transgênico não pica portanto não transmite doenças. Modelos matemáticos podem ser usados para determinar quantos e onde soltar os mosquitos transgênicos, minimizando o custo e maximizando o impacto. Deveria portanto ter todo o apoio da sociedade, certo?
Errado. A BBC Brasil publicou ontem uma matéria mostrando que um grupo de cientistas e ambientalistas se colocou contra os testes e está tentando barrar a ideia. Quem são e quais são seus argumentos?

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