Falácias Lógicas, Fake News e Teorias da Conspiração

23 out

atual filme da corrida eleitoral brasileira pode ser classificado como terror ou comédia, dependendo do freguês. Se você costuma escolher aquilo que consome a partir de critérios racionais, científicos ou minimamente céticos, tenho más notícias. Suas escolhas reais serão escassas. Jair Bolsonaro simulou o próprio atentado para disfarçar um suposto câncer? Falso. Fernando Haddad criou o ‘kit gay’? Falso. Ursal? Falso. Ciro Gomes ajudou a fazer o Plano Real? Falso. João Amoêdo trabalha para George Soros? Falso. Qual a lógica por trás desse tipo de coisa? Continue lendo

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Aborto – parte 1

15 set Situação legal do aborto

Um conflito de direitos

Imagine que você vai ao médico para uma visita de rotina, ele pede alguns exames e, quando você retorna com os resultados, ele informa que pediu alguns exames a mais porque está procurando alguém compatível para doar medula óssea a uma criança pequena que está no hospital. A criança pode morrer se não receber um transplante logo, e os exames indicam que você tem compatibilidade para ser doador.

“Mas é claro que eu doaria”, você deve estar pensando. Eu também penso assim, mas vamos fazer um experimento mental. Continue lendo

Precisa-se de números, paga-se bem

2 set

Mais de 300.000 adolescentes LGBTs, expulsos de casa por pais homofóbicos, vivem nas ruas ou em abrigos públicos nos Estados Unidos. 445 pessoas morreram pelo fato de serem homossexuais apenas no ano de 2017 no Brasil . Ocorrem cerca de 8.700 “feminicídios” por ano no Brasil. Entre 2014 e 2017, 126 mulheres morreram por serem homossexuais no Brasil. Pelo menos 91 morreram pelo mesmo motivo em 2018 [1][2][3][4][5].

Estas notícias foram transmitidas por grandes e respeitados veículos de comunicação: a Revista Galileu, o jornal britânico The Guardian, o canal de tv por assinatura Globo News e os portais Intercept Brasil e M de Mulher.

ALGUNS PROBLEMAS

Segundo os dados oficiais do Departamento de Habitação e Desenvolvimento Urbano dos EUA, o tamanho da população morando nas ruas ou em abrigos naquele país é de 550.000, dos quais cerca de 110.000 são crianças ou adolescentes. Além do mais, os dados oficiais apontam que a maioria dos jovens, adolescentes e crianças vivendo nas ruas ou em abrigos vivem com os próprios pais. O último Relatório de Avaliação Anual enviado pelo Departamento ao Congresso Americano aponta que o número total de pessoas com menos de 25 anos morando sem os pais nas ruas ou em abrigos públicos nos EUA não chega a 41.000 seres humanos. E não é remotamente concebível que estes todos tenham sido expulsos de casa pelos pais especificamente pelo fato de serem homossexuais [6]. Continue lendo

Por que não critico Israel?

20 jul

Cada vez que um novo conflito irrompe entre Israel e Palestina, chovem fortes críticas a Israel. No momento em que escrevo este post está ocorrendo uma nova onda de críticas contra o país sobre uma nova lei que alegadamente estabelece Israel como um Estado exclusivamente judaico. Muitas críticas parecem válidas, mas por ser um tópico altamente carregado é muito difícil para os não-experts separar quais são as críticas legítimas e quais são as motivadas por tribalismo ideológico. Para ajudar a pensar de maneira racional sobre o tópico, traduzi este texto de Sam Harris, um dos pensadores mais racionais que conheço. Harris faz menções ao conflito da época, de 2014, mas sua análise vai bem mais além. Recomendo também o recente episódio (em inglês) “The Middle East Conundrum” do podcast Analysis da BBC, que apresenta uma análise bem balanceada sobre o tema.  Continue lendo

O medo irracional dos pesticidas

3 jul

O projeto de lei que trata sobre o uso dos pesticidas (PL 6.299/2002) suscitou reações extremamente negativas na mídia, assim como várias alegações sobre o uso e efeito destas substâncias que, se verdadeiras, seriam extremamente alarmantes. O El País chamou o projeto de lei de “operação para afrouxar ainda mais a lei de agrotóxicos” em uma matéria repleta de críticas negativas e alegações fortes como a de que o Brasil é “bastante permissivo” com agrotóxicos, permitindo, segundo ela, muitos que já foram proibidos em outros países. A BBC News Brasil, geralmente bem moderada e embasada (mas nem sempre), publicou uma matéria um pouco mais imparcial mas ainda assim com uma manchete bastante alarmista: “na contramão de Europa e EUA, Brasil caminha para liberar mais agrotóxicos“. Organizações de ativistas apelidaram a proposta de “PL do veneno” e publicaram uma análise onde afirmam, entre outras coisas, que o Brasil “é o líder do ranking mundial de consumo de agrotóxicos” e conclui que com a nova lei “a saúde humana e o meio ambiente saem perdendo, enquanto as empresas de agrotóxicos e os grandes produtores agrícolas aumentam seus lucros”. Continue lendo

O misterioso caso da transubstanciação da BBC Brasil em Superinteressante

29 jun
Parece que a BBC Brasil resolveu dar uma de Superinteressante e publicar uma matéria completamente acrítica sobre o suposto “fantasma de Enfield”. Segundo ela, esse é o fenômeno paranormal “mais bem documentado” do Reino Unido, onde “até hoje, não se sabe qual a explicação científica para o que ocorreu”, e portanto “muitos acreditam que o fenômeno ocorrido com a família Hodgson se tratava realmente de um fantasma.” É impossível ler a reportagem e não sair com a sensação de que esse fenômeno realmente apresenta um desafio ao nosso conhecimento científico atual.

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Universidades estão revivendo a noção de heresia

6 dez

A “não discriminação” tornou-se a nova ortodoxia nos centros de aprendizagem que deveriam promover a diversidade de opinião

Por Roger Scruton. Publicado originalmente no jornal The Times.

As religiões proporcionam o sentimento de pertencer a uma comunidade. Elas enchem o vazio no coração com a presença mística do grupo, e se não fornecem esse benefício elas murcham e morrem, como as religiões do mundo antigo durante o período helenístico. É, portanto, parte da natureza de uma religião se proteger de grupos rivais e das heresias que os promovem. Continue lendo

Políticas públicas após a utopia

17 nov

Por Will Wilkinson, Vice Presidente de Políticas do Centro Niskanen. Publicado originalmente no blog do Centro Niskanen.

As pessoas muitas vezes me perguntam como a filosofia do Centro Niskanen difere do libertarianismo padrão. Normalmente, eu digo algo substantivo e relacionado a políticas, como “Pensamos que o Estado de bem-estar social e os mercados livres funcionam melhor juntos e que a hostilidade ao ‘Estado grande’ pode ​​ser contraproducente e nos deixa com menos liberdade”, ou algo assim. Esse é o tipo de contraste que as pessoas geralmente estão procurando. Mas eu nunca fico realmente feliz deixando isso assim.

Por que não? Porque esse tipo de resposta é realmente bastante superficial. Não chega ao centro da questão. Por exemplo, não abarca o que considero ser a natureza do erro intelectual envolvido na rejeição libertária padrão do Estado de bem-estar social. Há uma questão intelectual mais profunda sobre como teorizar sobre política, e não tem nada em particular a ver com o libertarianismo. Tem a ver com a utilidade de algo que os filósofos políticos chamam de “teoria ideal”. Continue lendo

Quão confiáveis são os exames de DNA e outros de local de crime?

18 jun

O sistema de justiça criminal tem um problema chamado criminalística. Essa foi a mensagem que ouvi no Forensic Science Research Evaluation Workshop, nos dias 26 e 27 de maio na AAAS (American Association for the Advancement of Science) em Washington, DC. Eu fiz uma palestra sobre pseudociência, mas em seguida ouvi com preocupação como os muitos campos da ciência forense que eu acreditava serem confiáveis (DNA, impressões digitais, etc) na verdade utilizam técnicas não confiáveis ou não testadas e apresentam inconsistências entre avaliadores de evidências. Continue lendo

O SUS e o uso da verba pública para tratamentos enganosos

22 maio

Atenção: este artigo não apresenta argumentos pró ou contra a existência do SUS, simplesmente dá como fato que ele existe e tem o objetivo de prezar pela saúde da população brasileira.

No final de março o Serviço Único de Saúde (SUS) divulgou que o Ministério da Saúde (MS) incluiu “14 novos procedimentos à Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PICs)”, e que agora o SUS oferece um total de 19 dessas práticas, entre elas homeopatia, acupuntura, medicina antroposófica, fitoterapia, crenoterapia, ayurveda, dança circular, quiropraxia, yoga e  reiki, shantala, terapia comunitária integrativa e yoga. Confesso que desconheço a maior parte dessas práticas, então vou me focar em uma que já estudei: a homeopatia. Continue lendo