Quão confiáveis são os exames de DNA e outros de local de crime?

18 jun

O sistema de justiça criminal tem um problema chamado criminalística. Essa foi a mensagem que ouvi no Forensic Science Research Evaluation Workshop, nos dias 26 e 27 de maio na AAAS (American Association for the Advancement of Science) em Washington, DC. Eu fiz uma palestra sobre pseudociência, mas em seguida ouvi com preocupação como os muitos campos da ciência forense que eu acreditava serem confiáveis (DNA, impressões digitais, etc) na verdade utilizam técnicas não confiáveis ou não testadas e apresentam inconsistências entre avaliadores de evidências. Continue lendo

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O SUS e o uso da verba pública para tratamentos enganosos

22 maio

Atenção: este artigo não apresenta argumentos pró ou contra a existência do SUS, simplesmente dá como fato que ele existe e tem o objetivo de prezar pela saúde da população brasileira.

No final de março o Serviço Único de Saúde (SUS) divulgou que o Ministério da Saúde (MS) incluiu “14 novos procedimentos à Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PICs)”, e que agora o SUS oferece um total de 19 dessas práticas, entre elas homeopatia, acupuntura, medicina antroposófica, fitoterapia, crenoterapia, ayurveda, dança circular, quiropraxia, yoga e  reiki, shantala, terapia comunitária integrativa e yoga. Confesso que desconheço a maior parte dessas práticas, então vou me focar em uma que já estudei: a homeopatia. Continue lendo

Ceticismo e Política

23 jan

Por Barry Fagin. Publicado originalmente na Skeptical Inquirer em Maio/Junho de 1997. 

Qual é a conexão entre ceticismo e política? Quais são as políticas apropriadas para um cético? Ser cético dita automaticamente a perspectiva política de alguém, ou há pontos de vista alternativos consistentes com o ceticismo?

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Em defesa do discurso de ódio

19 dez

Artigo da revista The Economist, publicado em 17/12/2016. Traduzido por André Luzardo.

Criminalizar a linguagem ofensiva só empodera os intolerantes

GEERT WILDERS, um político holandês, diz algumas coisas horríveis, inflamatórias. Ele chamou o Islã de “ideologia fascista” e se referiu a Muhammad, profeta do Islã, como “um demônio”. Ele também não é amigo da liberdade de expressão: quer proibir não só o Alcorão, mas também pregar em qualquer língua que não seja o Holandês. A The Economist deplora seus pontos de vista; mas ele deve ser autorizado a expressá-los. Continue lendo

Quem pode falar sobre discriminação social?

24 set

Faz algum tempo que tenho encontrado pessoas as quais, a fim de defender grupos socialmente discriminados, endossam duas posições:

a) Que somente grupos discriminados podem reconhecer o que é discriminação.

b) Portanto, que somente tais grupos podem fazer ciência a respeito da discriminação

Particularmente, entendo que tais posições são contraditórias, assim, este texto realizará uma crítica dessa contradição e tentará demonstrar como é possível superá-la e fazer ciência objetivamente e independentemente de quem sejamos.

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A incrível contribuição dos gatos amanteigados para a ciência física

17 set

Em física, chama-se “gato amanteigado” um tipo particular de experiência de pensamento. Uma experiência é dita de pensamento quando ela não requer observação real. Mas chega de definições abstratas, vamos explicar concretamente esses gatos amanteigados.

Vamos supor duas leis da natureza, supostamente consideradas válidas no momento que iniciamos essa experiência de pensamento: A primeira lei explica que um gato sempre cai nas suas pernas. A segunda nós ensina que canapés amanteigados caem sempre do lado da manteiga, principalmente se houver um carpete caro no chão. Vamos agora fazer uma experiência de pensamento puro, a partir da pergunta seguinte: Se colarmos um canapé amanteigado nas costas de um gato (com o lado amanteigado por cima), e se jogarmos esse sistema de uma altura razoável, como cairá no chão? É fácil entender que chegamos a uma contradição. Uma das duas leis, pelo menos, não será verificada pela experiência. A partir desse momento, temos várias possibilidades que nós levarão a um progresso científico: Continue lendo

As forças naturais desconhecidas (trecho) – Camille Flammarion

10 set

Aqui no Brasil Camille Flammarion jamais alcançou a mesma publicidade que Allan Kardec: enquanto todos nós (religiosos ou não) conhecemos bem o nome do fundador do espiritismo, poucos fora dos círculos espíritas hão de se recordar daqueles que estavam ao seu redor. Mas há diversos, e hoje compartilhamos aqui um texto (retirado do excelente Obras psicografadas) de um dos mais polêmicos deles.

Camille Flammarion foi astrônomo e divulgador científico com interesses variados a respeito de literatura e religião, tendo frequentado diversos círculos que realizavam experiências espirituais e também pesquisado longamente o assunto. Por algum tempo, ele fez parte do círculo de pesquisas de Kardec, de quem se tornou próximo, e é especificamente sobre esse período que trata o capítulo de As forças naturais desconhecidas que divulgamos hoje.

Embora possuísse diversos pensamentos e interesses comuns com Kardec, Flammarion tinha também um rigor científico admirável que o levou a fazer boas críticas ao método usado na confecção da codificação espírita e, igualmente, a fazer afirmações somente na medida em que tinha razões para tanto. Várias de suas críticas continuam atuais e interessantes, e a frequência com a qual admite os limites de suas hipóteses é uma bela demonstração de honestidade científica.

Aqueles que têm interesse em história da ciência e da religião, com efeito, encontrarão aí um bom material para o pensamento, quiçá, até divertimento.

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