Ciência e Religião não podem ser reconciliadas

29 jul

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Apologista da religião, gurus espirituais e ateus acomodados têm bombardeado cientistas com asserções nas quais a ciência e a religião podem andar juntas. Isso é politicamente conveniente, mas é simplesmente uma mentira. A ciência e a religião são fundamentalmente irreconciliáveis, e sempre serão.

Fé é a crença em algo na ausência de uma evidência que a comprove, mesmo que haja evidências contrárias. Ninguém discute que a religião é baseada na fé. Alguns autores dizem que a ciência é baseada na fé. Eles argumentam que a ciência se baseia na fé a medida que o mundo é racional e que a natureza pode ser ordenada de um modo não inteligente.

Porém a ciência não faz uma afirmação baseada na fé. Ela analisa suas observações por meio da aplicação de certas regras metodológicas, formulando modelos para descrever essas observações. É um processo por meio do sucesso prático, não por uma dedução lógica derivada de afirmações metafísicas duvidosas. Devemos distinguir a fé da verdade. A ciência tem ganhado nossa confiança porque provou ser verdadeira. A religião destruiu nossa verdade por suas mentiras repetidas.

Através do método empírico, a ciência eliminou a varíola, levou a humanidade a Lua e descobriu o DNA. Se a ciência não tivesse funcionado, não poderíamos ter feito tudo isso. Baseando-se na fé, a religião nos trouxe as inquisições, guerras santas e intolerância. A religião não funciona, mas ainda a utilizamos.

A ciência e a religião são fundamentalmente incompatíveis devido as suas epistemologias inconfundíveis e opostas – as afirmações dicotômicas que fazem em relação ao que sabemos sobre o mundo. Cada ser humano vivo está consciente de um mundo que aparentemente existe fora do corpo, o mundo de experiências sensoriais que denominamos de natural. A ciência é um estudo sistemático das observações feitas sobre o mundo natural por meio de nossos sentidos e de instrumentos científicos.

Por outro lado, grande parte das religiões ensinam que os humanos possuem um sentido adicional “interno” que nos permite acessar uma realidade além do mundo visível – um divino, transcendendo a realidade que chamamos de sobrenatural. Se não envolve o transcendente, não é religião.

Não há dúvidas de que a ciência possui limites. Porém, o fato é que a limitação da ciência não significa que a religião ou outros sistemas alternativos de pensamento possam fornecer respostas aquilo que está além desses limites. Por exemplo, a ciência não pode ainda mostrar precisamente como o universo e a vida se originaram naturalmente, embora muitas respostas plausíveis existam. Mas o fato da ciência não possuir atualmente uma resposta definitiva para essa questão não significa que a criação por meio de mitos ancestrais, tais como a vista no Gênesis judaico-cristão, é verdadeira ou possui qualquer veracidade, mesmo uma mínima chance de ser verificada.

Grande parte da comunidade científica em geral concorda que a ciência não precisa explicar eventos sobrenaturais porque os métodos científicos excluem essas causas. Porém, se possuímos um sentido interno que nos diz algo sobre uma realidade não observável que egoisticamente nos importa, influenciando nossas vidas, então devemos observar esses efeitos por meio do método científico.

Se o sentido interno de uma pessoa a informa de um terremoto iminente não predito pela ciência, ocorrendo como previsto, teremos então uma evidencia dessa fonte extra-sensorial de conhecimento. As “profecias divinas” tem sido criadas ao longo da historia, mas nenhuma pode ser confirmada conclusivamente.

Não temos evidencia de que as sensações das pessoas que percebem estarem em contato com o sobrenatural corresponda com qualquer coisa fora de suas mentes, logo não temos motivos para acreditar nessas sensações quando elas ocorrem. Porém, se tal evidencia ou razão surgirem, então os cientistas terão de considerá-la gostando ou não.

Não podemos jogar debaixo do tapete os grandes (e muitos) problemas trazidos pela revolução científica, nem o crescimento exponencial da habilidade humana em explorar os recursos naturais por meio da crescente tecnologia. Não teríamos problemas com a superpopulação, poluição, aquecimento global, ou a ameaça de um holocausto nuclear se a ciência não a tivessem tornado possíveis. A crescente descrença na ciência encontrada na América pode ser entendida observando-se exemplos infelizes de cientistas empregados por indústrias farmacêuticas, petróleo, alimentos e tabaco que contribuem para mortes desnecessárias de milhões ao permitir que esses produtos sejam comercializados mesmo sabendo que são inseguros para consumo.

Mas alguém quer voltar a idade pré-científica quando a vida humana era suja, bruta e curta? Até mesmo a criação do fogo foi uma nova tecnologia.

Porém esses produtos impróprios (e perigosos) foram mais que superados pela produção de drogas milagrosas, alimentos e tecnologias que nos permitiram ter uma vida imensuravelmente melhor que daqueles seres humanos de um passado não muito distante. Ao menos em países desenvolvidos, mulheres raramente morrem ao darem a luz, e grande parte das crianças cresce até a vida adulta. Não era o caso mesmo em poucas gerações passadas. A senilidade é tão numerosa que se tornou um problema social. Tudo isso é resultado do desenvolvimento científico.

Podemos resolver problemas criados a partir do mau uso da ciência somente através do uso da ciência e de um comportamento mais racional da parte dos cientistas, políticos, corporações e cidadãos em todos os meios de vida. E a religião, como prática comum, continua focando-se no pensamento fechado e em mitologias antigas, e não se esforça (nem um pouco) para atingir o objetivo de um mundo melhor e mais seguro. De fato, a religião atrapalha nossas tentativas de atingir esse objetivo.

Hoje a ciência e a religião se encontram em sério conflito. Até mesmo os crentes moderados não aceitam a teoria da evolução de Darwin. Embora afirmem não encontrar nenhum conflito entre a fé e a evolução, ainda insistem que Deus controla o desenvolvimento da vida, o que não é confirmado pela teoria da Evolução. A Evolução, como entendida pela ciência, não possui espaço para Deus. Fundamentalistas anti-Evolução estão absolutamente corretos quando defendem esse ponto de vista.

Em outro exemplo, interesses de empresas gananciosas e políticos inescrupulosos estão se utilizando de atitudes anticientíficas misturadas com a religião popular para desacreditar resultados científicos de importância global, tais como a superpopulação, degradação ambiental e a homofobia, as quais ameaçam as gerações que virão.

Aqueles que se baseiam nas observações e na razão para fornecer um entendimento do mundo DEVEM parar de ver como inofensivos aqueles que se baseiam na superstição e em mitologias de textos antigos como meio de ensinar as crianças. Pelo bem do futuro da humanidade, devemos lutar para expulsar as fantasias da fé para longe do pensamento humano.

A fé religiosa não deve ser uma força negativa na sociedade quando se trata de religião. Porém, o pensamento mágico se torna incrustado na mente das pessoas, e a fé se torna lei para todas as bases da vida. Ela produz um horizonte no qual os conceitos são formulados por meio da paixão profunda, mas sem uma mínima atenção dada as evidencias que possam sustentar esse conceito. Hoje me dia é mais evidente que na América há uma grande maioria do público que possui um grande conjunto de crenças que carecem totalmente de evidências para apoiá-las e, de fato, evidências que as neguem como verdades. O pensamento mágico e a fé cega são os piores sistemas mentais que podemos aplicar nessas circunstâncias. Eles permitem que as mentiras mais descabidas sejam admitidas como fatos.

Do seu princípio, a religião tem sido um ferramenta utilizada por aqueles no poder para manter esse poder e manter a massa ignorante sob controle. Isso continua nos dias atuais a medida que grupos religiosos são manipulados para trabalharem contra os seus próprios interesses na saúde e na economia, pondo em dúvida achados científicos bem estabelecidos. Isso não seria possível exceto para as visões de mundo diametralmente opostas entre a ciência e a religião. A ciência não irá mudar seu compromisso com a verdade. Podemos somente esperar que a religião mude seu comprometimento com o absurdo.

Adaptação: The Huffington Post

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3 Respostas to “Ciência e Religião não podem ser reconciliadas”

  1. um cetico dos ceticos 31/07/2013 às 05:23 #

    Mas que texto tão enviesado, assim não conseguimos dar crédito ao que diz, tente novamente!

  2. Marcinha 20/12/2014 às 06:44 #

    Texto excelente. Chega de tampar o sol com a peneira. A religião desde o princípio dos tempos procurou matar a ciência. A religião é um instrumento de domínio, controle e poder, usada em benefício próprio de alguns.

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