Guia cético para a palestra “A glândula pineal” – Sérgio Felipe de Oliveira

23 nov

Antes de explicar a finalidade deste texto devo dizer que ele é uma homenagem ao melhor blog brasileiro de todos os tempos, o lendário Dragão na Garagem, pois eu, assim como muita gente de bom gosto por aí, li obcecadamente todos os tópicos daquele espaço tão cheio de bom humor e inteligência, fui inspirado por ele e desejei escrever tal como seus autores e ter o domínio dos assuntos que eles tinham. Para a decepção geral daqueles que conheceram o trabalho de Alexandre Taschetto e Widson Porto Reis, no entanto, estou hoje muito aquém disso: meu conhecimento científico está no nível de qualquer pobre vítima da escola pública e escrevo sem aquela simplicidade elegante que tinham os meus inspiradores. Estou entre aqueles que jamais descobriram a utilidade da fórmula de Bhaskara e meu idioma está mais para brasileiro que para português, digamos assim.

Apesar disso, acredito que a motivação dos autores ao denunciar o erro sem recair no proselitismo tolo é a mesma que me acompanha aqui e ambos queremos promover debates sérios a respeito daquilo que conhecemos. Espero que a esse respeito eu possa fazer um trabalho a altura deles.

Introdução

Como diz o título, este texto consiste numa análise da palestra A Glândula Pineal novos conceitos e avanço nas pesquisas, em que o médico Sérgio Felipe de Oliveira (disponível aqui) defende uma interpretação científica e espiritualista da mente humana. Para analisá-la, separarei os elementos sobre os quais a palestra está fundamentada e observarei o quanto eles se sustentam sozinhos e o quanto se sustentam dentro do grupo de afirmações em que estão inseridos. Sobre isso é preciso esclarecer três coisas.

Primeiramente, este não é um texto sobre ciência; mas sobre filosofia. Embora a palestra tenha sido proferida por um médico que crê apresentar os resultados de suas pesquisas, pretendo demonstrar que sua argumentação está sustentada em premissas filosóficas e não científicas. Sendo assim, me ocuparei especificamente com a maneira pela qual ele usa a ciência para sustentar suas teses filosóficas, ou seja, tratarei da filosofia que envolve a ciência praticada por ele e o modo pelo qual ele usa a ciência para construir tal filosofia.

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Quero ressaltar também que este é um guia cético, uma orientação que não pretende assentir com verdades absolutas e convida o leitor a desconfiar daquilo que analisamos. Deste modo, não estarei interessado em dissuadir qualquer um de sua própria fé, em convencê-los da verdade do materialismo ou mesmo em atingir o palestrante em sua pessoa, até porque sinto que há boa vontade no que ele diz. Ocorre, porém, que sua argumentação produz muitos amadorismos conforme se desvia da ciê

ncia e se imiscui em questões filosóficas complicadas, abordando levianamente assuntos profundos e fazendo apologia religiosa com o nome da ciência. É sob esse aspecto que desejo problematizar o que ele diz. As críticas feitas aqui concernem unicamente ao contexto da palestra e nada mais.

Uma última coisa é que, para evitar um texto longo demais, não analisarei nem toda a palestra, nem todas as falas do médico, embora, é claro, eu tenha assistido tudo para compor o que escrevi. Apresentarei aqui somente os primeiros vinte e dois minutos do vídeo pois considero que neles estão contidas as teses e argumentos que como um todo a sustentam, sendo que depois desse ponto o médico apenas expõe o desdobramento das coisas que defendeu até ali e nenhum novo argumento é dado. Além disso, nesse espaço de tempo são afirmadas várias coisas que nada contribuem para a finalidade deste texto e serão ignoradas também. Quem achar que essa seleção de tempo e de falas implicou num prejuízo à argumentação do médico durante meu texto, por favor, aponte onde isso ocorre e eu responderei com prazer ou até incluirei numa revisão se for o caso.

Vamos começar.

Biografia (até 8:48)

Iniciando a palestra com sua biografia, Sérgio Felipe conta como chegou ao estudo da glândula pineal, narra um pouco da mística em torno desse órgão (Descartese os Hindus, por exemplo, tinham teses espiritualistas sobre ela) e, o mais importante, afirma que apresentará uma pesquisa que teria desenvolvido parte em consultório privado e parte na Universidade de São Paulo: “Aí saiu a pesquisa que eu vou mostrar pra vocês e os derivativos dela” (8:20). Com essa breve introdução somos apresentados ao tema da palestra – a natureza da mente – e ao modo pelo qual ele será discutido: uma abordagem científica feita com todo o rigor e precisão exigida.

Citar isso pode parecer bobo, porém desejo ressaltar como o médico entende o que faz, pois grande parte deste texto tentará demonstrar que a palestra se apresenta como uma coisa (ciência), mas se desenvolve como  outra (filosofia), sendo necessário entendermos tanto o que ela pretende ser quanto aquilo que ela é.

Alienígenas e suas mentes de carbono quântico (de 8:48 até 11:00)

Depois da introdução o palestrante conta uma pequena anedota: os habitantes de um planeta longínquo teriam, certa feita, descoberto a humanidade e as coisas incríveis que ela produziu, ficando espantados ao perceber que somos feitos de carne e somente de carne a despeito de nossas grandes capacidades. O tom empregado pelo médico sugere que a redução do ser humano à carne – ou à matéria, se quiserem – seja controversa e que, mesmo não sendo dado nenhum argumento nesse momento para tal, um ser que pensa, sente e deseja não poderia ser composto somente de carne. A moral da história fica sendo esta: nós humanos não podemos ser somente carne. Ou algo do tipo.

Suponho que em algum momento da vida todos nós já ouvimos algo assim e é simples assumir esse tipo de pensamento para argumentar em favor da imaterialidade da mente, todavia, é igualmente simples perguntar por que a complexidade da carne seria insuficiente para explicar a complexidade humana, algo que tal anedota pressupõe mas não justifica. Digo isso porque mesmo supondo que os extraterrestres sintam estranhamento diante de nossa mente de carne, poderemos sustentar o mesmo estranhamento diante de suas mentes de… Seja lá do que elas forem feitas, já que uma mente capaz como a humana só foi encontrada em nossa própria raça e nem por isso sabemos exatamente como ela surge ou funciona, deste modo, seria surpreendente descobrir outras formas de vida que tivessem uma mente tão complexa quanto a nossa e não fossem de carne. Se nossos observadores alienígenas aparecerem aqui algum dia, eles serão a prova viva de que a mente não é um fenômeno da carne e pode surgir de outras fontes materiais como, no caso dessa anedota, carbono quântico. Aliás, não seria incrível? Ocorre, porém, que nossos amigos extraterrestres ainda não deram as caras por aqui e com isso não temos considerado procurar mentes nos diversos compostos de carbono, mesmo que não tenhamos certeza se a mente só pode surgir na carne humana ou não.

Com essa discussão toda quero defender que a afirmação “a mente não é produto da carne” precisa de boas justificativas para que possa ser considerada válida, aliás, a afirmação contrária – a mente é produto da carne – também: a ciência não prova nem uma nem outra; apenas descreve e tenta entender como funciona o nosso cérebro de carne na medida em que dispõe de meios para isso. A posição do palestrante é de que é possível decisão pela imaterialidade da mente por meio de um discurso científico. Ele apresentará alguns argumentos em favor disso, na verdade, duas analogias. Vamos analisá-las individualmente e ver como ele se sai, aí quem sabe, poderemos dizer se ele apresenta uma justificativa que torne sua tese cientificamente válida.

Analogia um: cérebros são como televisores? (11:00 até 11:30)

Após contar a tal história dos extraterrestres, Sérgio Felipe nos apresenta uma analogia contra a materialidade da mente afirmando que a crença de que o cérebro produz sozinho o pensamento equivale a: “achar que os atores moram dentro do televisor” (11:10). Sendo assim, caso aceitemos raciocínios primários como esse, aceitaremos igualmente que um defeito no televisor implica no fim da novela ou que uma lesão no cérebro implicaria no fim da atividade psíquica (11:19).

É simples notar que essa analogia traz implícita uma apologia da imaterialidade da mente mediante a associação de quatro elementos: o televisor, a novela, nosso cérebro e nossa mente, sendo os dois primeiros comparados respectivamente aos dois posteriores. Embora o palestrante não detalhe como esses elementos podem ser comparados uns aos outros, creio ser aceitável supor que ele entenda que o televisor seja assemelhado em seu aspecto mecânico e automatizado ao nosso cérebro e que a programação transmitida nele, em sua independência do aparelho, seja assemelhada à nossa mente. A analogia consiste em afirmar que tal como existe uma independência entre televisão e sua programação, sendo que mesmo que um televisor seja quebrado, sua programação continua existindo de algum modo e em algum lugar, ainda que tenhamos um corpo que é responsável por nossos pensamentos, eles não tem origem nele mas em algo que independe dele, numa mente imaterial. Com esse argumento o palestrante tenta provar a impossibilidade de nossa mente ter uma origem corpórea e sua necessária origem não material.

Bem, há um problema nessa analogia se formos muito rigorosos com ela, afinal, presume-se que a novela seja a encenação de algo material (realizado pelos atores) que é transmitido por ondas até a antena da televisão. Nesse sentido a novela seria tão material quanto o televisor e a analogia do médico simplesmente não funcionaria, pois se compararmos a encenação à mente, então, contrariamente ao que defende o palestrante, ela deveria existir fisicamente e o que soubermos dela será apenas uma transformação em imagem do que lhe ocorre.

Em razão disso proponho que sejamos um pouco condescendentes com o médico, deixemos de lado a ideia de novela e vamos ao princípio mais profundo dessa analogia: a ideia de que há uma programação imaterial que é transmitida para o televisor, o que equivale a dizer que a mente é uma espécie de transmissão (ou transmissora) direcionada para um cérebro material. Por essa via a analogia mostraria que há independência entre corpo e mente mas também que existe uma diferença na natureza de ambos: um é material e o outro imaterial. Esse formato de analogia, entretanto, também não está isento de problemas, pois diferentemente da mente humana, a transmissão por ondas funciona a partir de uma única fonte que envia as mesmas informações para milhares de televisores e, como consequência disso, se concebermos que ela tem paridade com a mente transmitindo informações para o cérebro, teríamos que admitir que milhares de cérebros tem a mesma mente que se origina num único ponto. A comparação não funcionaria desse jeito também.

Seria possível problematizar ainda mais os significados possíveis dessa analogia, entretanto não é difícil entender o que o palestrante quer provar: que temos uma alma imaterial de onde provém a mente (ou que se confunde com ela), que está relacionada de algum modo com o corpo e faz com que ele realize ações livres. Levemos essa concepção adiante pois a segunda analogia a aprimora, assim poderemos discuti-la melhor.

Analogia dois: é o cérebro um computador? (11:30 até 13:00)

Exposta a primeira analogia o médico passa logo à segunda e diz que algumas pessoas equiparam o cérebro a um computador, uma ideia com a qual ele assente: “De fato, é um computador” (11:35), mas com a ressalva de que nenhum computador pode produzir seu próprio programa, necessitando de um programador. Definindo os elementos em questão creio que ficaria assim: o computador é o cérebro, o programa é a mente e o programador é ninguém menos que deus.

Essa analogia é muito mais radical que a primeira, uma vez que atribui finalidade às coisas e adere a um princípio metafísico (deus) para explicar por que elas são dessa maneira, todavia, antes que analisemos os problemas suscitados por ela precisamos definir seu significado.

A princípio, visando esse fim, podemos colocar a questão a respeito do que significaria comparar o cérebro com um computador, quer dizer, perguntar o que no cérebro humano é semelhante ao computador e de que maneira o é. Certamente não será o fato de que a máquina é feita de metal ou devido a esse ou aquele formato corporal que ela possua, por exemplo. Não se trata disso porém de algo mais específico.

Para fazermos uma analogia entre duas coisas basta que encontremos nelas predicados análogos que possam ser comparados entre si, ou seja, é preciso selecionar componentes existentes tanto num quanto no outro que sejam parecidos e que, graças a isso, possam ser comparados. E quais seriam tais elementos nessa analogia? Que predicados do cérebro estão sendo equiparados e quais predicados do computador? Sérgio Felipe não diz, consequentemente, não podemos saber em que exatamente se sustenta o seu argumento; apenas concebemos certa ideia vaga de cérebro e de computador que pode ou não corresponder àquilo que ele pensa.

Assim, para fins desse texto, analisarei a analogia com base numa ideia de cérebro que o médico constrói na totalidade da palestra, o que não parece estar errado, entretanto não deixa de ser um palpite sobre seu significado real. Se alguém desejar complementar isso seria ótimo.

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A meu ver, a equiparação entre um órgão biológico e uma máquina se dá a partir de quatro elementos:

I primeiramente, comparar o computador, um objeto que reconhecemos ser criado artificialmente por um motivo, com a mente, que não sabemos se foi criada assim, ele deseja transferir a característica que concordamos existir no primeiro para o segundo, quer dizer, comparando-os o palestrante deseja sugerir que, tal como a máquina, a mente também é criada por alguém com uma finalidade.

II além disso, o computador é uma estrutura auto-organizada e tal como o cérebro humano também mantém uma articulação organizada entre as partes que o compõe, de maneira que ambos operam através de certa estrutura física que possibilita e condiciona suas ações em algum grau. Com isso o médico quer sugerir que tanto o cérebro quanto o computador são sistemas: estruturas que se autoregulam por meio do funcionamento das partes que as compõe.

III mais, o computador executa operações que não são consequentes simplesmente de sua estrutura física e dependem da intervenção de uma inteligência sobre ela, em outras palavras, ele não cria programas ou executa tarefas somente por ter sido montado e saído da fábrica, mas depende de uma interferência inteligente sobre si que o faça realizar tais coisas. A analogia consiste em afirmar que também o cérebro não funcionaria somente por ser uma estrutura corpórea e funcional, mas dependeria de algum tipo de ativação ou princípio inteligente externo que o colocasse em funcionamento, a alma (o software), de modo que nossa imaginação e pensamento precisariam ser instaladas no cérebro porque não são consequências diretas dele, por exemplo.

IV por fim, o computador computa dados, isto é, processa uma enorme quantidade de informações de “maneira similar” ao cérebro humano. Qual maneira seria essa e em que a capacidade computacional da máquina seria semelhante à nossa inteligência, é algo que não é muito nítido no correr da palestra.

Se aceitarmos esses quatro aspectos concordaremos que a mente é, minimamente, um sistema imaterial inteligente, estruturado de maneira a produzir a atividade cerebral.

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Sem medo de errar eu diria que essa é a grande tese defendida pelo médico no decorrer da palestra e foi por isso que tentei expô-la com o máximo detalhamento, no entanto, a despeito dessa importância tremenda, tal tese recebe o mesmo tratamento superficial que as demais e contém vários problemas que podemos perceber sem nem precisar ir muito longe, a começar pelas perguntas que podemos lhes propor: como provar que tal como a programação do computador um cérebro não produz a mente? Que eu me lembre, nunca se viu por aí um pensamento andando fora do cérebro para que pudéssemos defender que exista uma independência entre ambos, além disso, quando um cérebro para de funcionar ou é danificado a mente sofre consequências diretas disso como se tivesse uma ligação indissociável com ele. É claro que no estado atual de nosso conhecimento não podemos defender que tudo o que é preciso saber sobre a mente seja essa intersecção com o cérebro, entretanto há evidências suficientes a esse respeito para fazer com que a ciência investigue esse lado da questão mesmo sem fechar sua opinião sobre o assunto. Considerando isso, seria surpreendente se as afirmações de Sério Felipe em favor do outro lado fossem acompanhadas de evidências, pois um novo mundo se abriria para a ciência e para a filosofia. Um mundo incrível, aliás. O que o médico nos apresenta, todavia, são somente analogias que, mesmo podendo aparentar credibilidade, são bastante controversas e, ainda que possam ser filosoficamente melhoradas, continuam carecendo de provas para que sejam consideradas cientificamente válidas. Vou argumentar melhor.

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Para começar a problematizar a validade das analogias podemos nos perguntar a respeito de sua pertinência argumentativa e o quanto provam o que almejam provar.

Inicialmente, podemos questionar até que ponto tais comparações são válidas e um computador é mesmo parecido com o cérebro e em que medida devemos recusar a analogia por que ela traz elementos inconvenientes. Por exemplo: supondo que sejamos tal como os computadores, então também somos construtos sem liberdade? Parece-me que o palestrante não aceitaria essa consequência e colocaria algum limite na comparação de maneira a especificar sob quais aspectos ela vale e sob quais aspectos não. Com isso, certos elementos do cérebro e do computador seriam desconsiderados na comparação e somente alguns contariam. Todavia, mesmo que especifiquemos o que está sendo comparado em cada um dos objetos em questão, a comparação ainda é um recurso imaginativo que assemelha esses elementos sem que eles sejam realmente semelhantes, afinal, ninguém vai dizer que um computador é inteligente da mesma maneira que um cérebro embora afirmemos que ambos possuam inteligência. É apenas uma licença poética. A consequência disso é que para defendermos cientificamente que a mente tem certas características iguais àquelas do computador, seria preciso especificar tanto o que significariam tais características nos dois lados da comparação que, conforme ocorresse esse detalhamento, seria preciso desconsiderar cada vez mais as diferenças ou especificidades dessas mesmas características para fazer a analogia funcionar. Ao fim teríamos uma comparação precisa mas extremamente forçada de alguns elementos da mente e do cérebro.

Não seria mais razoável investigar o cérebro por si só e descobrir o que há lá que possa ser apresentado como prova? Inclusive, não é isso que fazem os cientistas?

No mais, mesmo se considerarmos a mente como uma entidade imaterial, como quer o palestrante, criaremos um sério problema para quem deseja fazer ciência, a saber, como investigar aquilo que ultrapassa todos os nossos meios para fazer ciência? Como investigar o imaterial com nossos recursos científicos materiais? Como seria possível apresentar uma prova científica a respeito da existência uma entidade imaterial, por exemplo? E mais: como podemos atribuir a uma coisa imaterial funções que só conhecemos relacionadas à carne, como o sentir, por exemplo? Sinceramente, não tenho ideia, e esses são apenas os problemas filosóficos da palestra. Consigo pensar em maneiras de responder questões como essas que apelariam à filosofia (sobretudo à Metafísica), no entanto não consigo conceber como um cientista as responderia satisfatoriamente.

Seria possível enumerar outros problemas e mostrar como essas analogias falham como provas científicas, entretanto, mesmo que eu estivesse equivocado a esse respeito e o médico apresentasse um argumento consecutivo do outro em favor do espiritualismo, a argumentação poderia ser convincente mas jamais seria científica. As analogias introduzem um tema a ser debatido (a natureza da mente) e funcionam como uma espécie de exemplo favorável a um dos lados em disputa conforme mostram sua racionalidade, contudo não passam de um recurso lógico que embora explicite um princípio racional contido em si, não contribui com qualquer experimento ou resultado de pesquisa que comprove que esse princípio é verdadeiro. Não há ciência nessas afirmações. Deste modo, para além dos problemas filosóficos que apontei, o discurso do médico ainda tem problemas no que tange à ciência que pretende apresentar, sendo que, mesmo quando ele diz que pode ocorrer atividade mental numa área lesionada do cérebro ou que certas configurações de pineal favorecem determinados tipo de mediunidade, lá pelo fim da palestra, essas alegações constituem mero discurso sem evidências. Aliás, onde estão as evidências de Sérgio Felipe? Embora ele tenha afirmado que apresentaria suas pesquisas feitas na medicina: “Eu procuro raciocinar dentro da ciência formal” (12:45), por ora não foi feita uma argumentação com base em qualquer experimento ou teoria científica. Exploremos isso.

Provar o materialismo? (13:01 até 14:17)

Bem, creio ser simples perceber que até agora a apresentação de Sérgio Felipe se fundamenta em pressupostos filosóficos. Ao contar a anedota dos alienígenas e seu espanto com nosso cérebro de carne, por exemplo, notamos que o susto dos extraterrestres será compreensível somente se pressupusermos que a mente não é material e portanto não pode surgir da carne, quer dizer, caso adotemos um pressuposto filosófico-metafísico. Eles se espantam conosco porque possuem de antemão um conceito de mente que não é corroborado pela realidade, inclusive, é exatamente essa a posição do médico durante a palestra: em vez de investigar os fenômenos e a partir dele criar hipóteses interpretativas, Sérgio Felipe tenta encaixá-los numa hipótese que os antecede e já é considerada verdadeira. As evidências científicas são apresentadas somente depois de estabelecidas as verdades que se deseja provar, como uma demonstração empírica de uma verdade metafísica.

Pessoalmente, acredito que o médico não tenha consciência de que procede assim – confundindo filosofia e ciência – e que não tenha dúvidas de que apresenta evidências científicas ao público. Boa parte de minha própria dificuldade em escrever esse guia estava em tentar entender os motivos pelos quais ele cometia certos amadorismos oriundos dessa mistura, posto que ele mesmo não esclarece muito bem o que pensa. E não esclarece pois nem considera as sutilezas do assunto. Por sinal, em certos momentos isso é tão acentuado que ele diz: “O materialismo não teve prova científica” (13:10) e a minha favorita: “Em qual laboratório foi provado o materialismo?” (13:22). Ora, se Sérgio Felipe entende o materialismo como uma realidade existencial – segundo as palavras dele – então alguém precisaria esclarecê-lo que realidade, materialismo e existência são termos da discussão filosófica e não da científica. A ciência trabalha com átomos, elétrons, peso, corpos e com tudo aquilo que pode ser quantificado, porém não com as noções metafísicas tais quais matéria, existência e realidade 1. Como seria possível provar cientificamente que o materialismo é uma realidade existencial, por exemplo? Com quais testes e com quais equipamentos? Aliás, antes de tudo, o que é exatamente uma realidade? Ou mesmo, o que é uma realidade existencial? São possíveis realidades não-existenciais? O uso que o médico faz dos termos permite que coloquemos todas essas questões mesmo que atribuamos os sentidos mais banais para cada um deles. Indo um pouco mais longe, mesmo que aceitemos utilizar noções metafísicas – como materialismo – na ciência, será preciso definir o que esses termos significam e aí surge um entrave: definições metafísicas sempre estão em disputa. A noção de matéria, por exemplo, tem uma coleção de definições diferentes de acordo com o período filosófico e o pensador em questão. O que torna a definição de Sérgio Felipe verdadeira ou melhor que as demais? Por que ficaríamos com ela e não com qualquer uma das outras? A propósito, o que é uma boa definição? Tais discussões precisam ser feitas caso desejemos empregar noções metafísicas na ciência e, no entanto, elas nos levariam para longe do horizonte da ciência e daquilo que o próprio palestrante propõe.

Assim, independentemente da definição de materialismo que decidamos empregar, a ciência não terá em seu favor qualquer evidência porque ela está fora de seu âmbito. A esse respeito o médico está correto ao dizer que: “Quando o cientista coloca uma visão materialista é opinião pessoal dele, não a opinião da ciência” (14:05), por exemplo, todavia isso ocorre porque o materialismo não é uma tese científica e por isso é errado colocá-lo nesses termos. De fato, qualquer pesquisador que declare que a ciência é materialista está apenas afirmando sua opinião pessoal, tal como o palestrante afirma, contudo ele ignora é que o mesmo se dá com pesquisadores espiritualistas como ele: ambos somente produzem opiniões sobre ciência. Há uma contradição estranha em seu discurso: ele assume o critério científico para julgar as hipóteses disponíveis, rejeita o materialismo como sendo mera opinião, mas deseja provar uma tese metafísica… Uma tese que vai além do campo de investigação da ciência.

Acreditar na matéria requer fé? (16:17)

Permitam-me adiantar algo que Sérgio só dirá mais adiante, mas que integra sua crítica ao materialismo e ficaria melhor apresentado agora.

Depois de abordar o tema da constituição atômica da matéria o médico nos brinda com uma pérola: “O materialista acredita no que ele não toca e no que ele não vê. Precisa muita fé para se tornar um materialista” (16:17). Com essa afirmação ele pretende defender que a crença em entidades como átomos, elétrons e gravidade é baseada em algum tipo de fé, mesmo que seja também corroborada por evidências. Exploremos os problemas implicados nisso.

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Comecemos pelo óbvio: antes de tudo, uma acusação de fé sobre os materialistas é uma provocação. Ela visa colocar sobre os materialistas toda a carga de carolice que os espiritualistas são acusados de possuir. Pensando assim, a fé seria uma espécie de sinônimo para a injustificação – quiçá irracionalidade – assumida por alguns cientistas ao aderir a certas crenças, como o materialismo. Pessoalmente, acho que esse tipo de acusação depõe contra o próprio espiritualismo, já que implicitamente se desmerece a fé conforme a entende como algo negativo com o qual se acusa e desmerece o adversário, mas esse tipo de discussão não importa para o que estamos tratando agora, ignoremos e vamos adiante.

É aceitável supor que crer em coisas que não percebemos por meio de nossos sentidos não seja uma questão de fé, porém de simples bom senso. A exemplo disso, suponhamos que eu apanhe um objeto pequeno e feche os meus dedos em torno dele fazendo com que suma da visão de todos, com isso, embora ele tenha se tornado imperceptível aos sentidos das pessoas e que ninguém mais possa vê-lo, ouvi-lo ou senti-lo (além de mim), nenhuma pessoa duvidará que ele continua entre os meus dedos conquanto não tenham a  percepção atual dele. A partir do momento em que o objeto saiu da percepção das pessoas, passa-se a inferir que ele se encontra ali porque foi visto sendo colocado lá, ou seja, organiza-se racionalmente um conjunto de observações e assim supõe-se alguma coisa que tem base nelas mas que não é dado por elas. A racionalização faz com que possamos realizar inferências sobre o que não está na própria percepção. Se somente acreditássemos naquilo que percebemos por meio de nossos sentidos, então teríamos que acreditar que o objeto sumiu tão logo saiu do nosso campo perceptivo e não teríamos motivos para inferir que ele continuasse lá independentemente de o estarmos percebendo. Todo o tempo supomos coisas com base nesse tipo de raciocínio. E dá certo.

Além disso, mesmo em nossa experiência cotidiana nos deparamos com diversos limites para nossas capacidades sensoriais e aprendemos que se nos guiarmos inteiramente por elas seremos induzidos ao erro. Podemos pensar que quando olhamos o sol em sua marcha diária pelo céu, por exemplo, não acreditamos que ele seja como uma tampinha de refrigerante, embora seja assim que os nossos olhos o mostrem. Fora a distorção visual dos objetos, nosso paladar também pode perceber gostos de maneiras diferentes de acordo com nosso estado atual e nossa audição é menos eficiente na percepção de certos sons que a dos cães, por exemplo.

Todas essas banalidades explicitam o limite de nossas percepções e implicam na existência de coisas que não podemos atingir por meio delas. A crença naquilo que ultrapassa nossa capacidade sensitiva independe de qualquer fé porque pode ser inferida a partir da própria experiência de nossos limites, ou seja, pela própria constatação de que nossos sentidos não podem captar a totalidade do mundo.

Evidentemente, as pessoas acreditam em muitas coisas que extrapolam seus sentidos e as teorias científicas só supõe a existência de algumas, como os átomos e os quarks, ao passo que desconsideram várias outras, como deuses e extraterrestres. A seleção entre elas é feita por meio das evidências obtidas com os recursos que a ciência dispuser no momento. Podemos, por exemplo, utilizar máquinas para conhecer aquilo que ultrapassa nossas capacidades físicas, perceber tais entidades e, mesmo que de maneira incompleta, compreender como agem. Com o avanço da complexidade dos instrumentos de observação foi possível aos cientistas perceber a existência de bactérias, microrganismos e partículas tão ínfimas que nunca seríamos capazes de notar somente com nossos corpos. Deste modo, entidades cuja existência é impossível de verificar sensivelmente podem hoje ser notadas com instrumentos, o que impele a ciência a saber ainda mais sobre elas e a melhorar seus recursos tanto quanto possível.

Seria possível contra-argumentar assim: nunca vimos um átomo e por isso não há motivos para crer neles; no entanto, mesmo que não percebamos os átomos, percebemos fenômenos físicos cuja melhor explicação até hoje é dada por eles. Átomos existem exatamente como a ciência formula? Não sabemos, embora haja bons motivos para que possamos pensar que sim, a começar pelo sucesso da química como ciência. Se um dia nossos equipamentos puderem observar um átomo diretamente, teríamos uma confirmação poderosa da teoria atômica (não que alguém duvide dela), entretanto mesmo que isso não aconteça e nunca tenhamos uma evidência direta do átomo, continuaremos a ter boas razões para crer nele porque a ciência feita com base nessa crença funciona bem. Analogamente, malgrado eu nunca ter visto o interior de meu tórax, tenho alguns bons motivos para supor que ali dentro pulsa o meu coração e que não posso abusar muito dele. Até o momento minha suposição tem dado bons resultados e não creio que se mostrará falsa ou arbitrária.

Caso queiramos insistir mais no assunto seria possível ir ainda mais longe no questionamento da matéria, porém, mesmo que um dia observemos a realidade ínfima da matéria e descubramos que não existem átomos e que a ciência estava errada, os cientistas não continuarão a crer num átomo com base na fé, mas mudarão suas crenças justificados pela empiria. As crenças em entidades extra-sensíveis postuladas pela ciência estão baseadas em evidências (por mais insuficientes que estas sejam) e não são crenças arbitrárias vindas da opinião dos cientistas. Elas podem ser revistas assim que forem apresentados bons motivos para tal. Aliás, Sérgio Felipe seria capaz de mudar sua crença na existência de uma alma imortal caso a ciência não a corroborasse? Poderia não acreditar num deus criador de almas? Tenho a impressão de que não, mais ainda, tenho a impressão de que nos últimos duzentos anos de ciência nenhum laboratório conseguiu provar a existência da alma humana e que isso não faz a menor diferença para o palestrante. As atuais teorias científicas são aquelas que sobreviveram às críticas, que puderam prever fenômenos com antecedência e que aguentaram centenas de testes no mundo todo que poderiam mostrar que são falhas mas somente as confirmaram, em outras palavras, há milhares de corroborações nas hipóteses científicas que as tornam aceitáveis em suas formulações atuais. Caso o palestrante deseje provar que uma hipótese espiritualista também pode ser válida, é preciso prová-la e torná-la forte o suficiente para suportar tudo o que uma hipótese científica tem que suportar para que seja aceita.

A tal da espiritualidade (14:18 até 21:45)

O materialismo é apenas opinião e o espiritualismo é uma realidade existencial: é com essa concepção que Sérgio Felipe desenvolverá sua argumentação daqui por diante, entendendo o espiritualismo como uma espécie de correção dos rumos da ciência, até hoje iludida pelo materialismo. Se existe engano, então é preciso conduzir as pessoas ao caminho correto e mostrar como a ciência pode ser compatível com a espiritualidade. Esse é o seu modo de arguir.

Pensando assim o médico dirá que: “A espiritualidade é um campo aberto à pesquisa científica” (14:18), aliás, um princípio muito bacana, pois há mesmo muito o que explorar no que diz respeito à espiritualidade na ciência. Felizmente, muita gente séria se dedica ao estudo do funcionamento dos sonhos, tenta entender como rezar mexe com nossa mente e o motivo pelo qual ter fé frequentemente nos faz bem, ou como operam os efeitos incríveis da meditação, dos transes hipnóticos e outras coisas do gênero; todavia, parece que esse tipo de pesquisa não satisfaz a curiosidade científica do palestrante e não é nesse sentido que ele concebe a espiritualidade. No seu entender, espiritualidade não é um termo que diz respeito a certos fenômenos naturais ligados a crenças e práticas humanas, mas a uma espécie de mundo sobreposto ao nosso mundo, uma coisa invisível, inodora e insípida, oculta detrás do véu da matéria e que caso seja pesquisada pela ótica adequada, por meio da doutrina correta e da religião verdadeira, poderá ser descoberta. Investigar a espiritualidade implicaria na investigação de entidades metafísicas como alma, deus, em suma, “outras realidades” que ultrapassam o escopo normal da ciência. Tal concepção de espiritualidade é tão nítida na cabeça do médico que ele sequer desconfia que a palavra possa ter outro sentido ou ser fonte de alguma disputa.

Daí, ele desenvolve: “A questão é que falar de espiritualidade numa universidade é, sobretudo, trazer à ciência a lucidez e a honestidade” (16:47), ou seja, o espiritualismo contribui com a universidade levando promovendo a lucidez e a honestidade, sendo que, caso livremos os universitários dos erros e das desonestidades materialismo, levaremos até eles uma ciência honesta e lúcida, condizente com a realidade existencial correta e, é claro, espiritualista. É notável que ao dizer que o espiritualismo leva essas duas virtudes à universidade, Sérgio Felipe implicitamente acusa os materialistas de não fazerem o mesmo, todavia, ignoremos esse tipo de bobagem; fiquemos, porém, com a obviedade que ele atribui à espiritualidade para que entendamos melhor o desenvolvimento de sua palestra. Quando diz que: “A universidade deve ensinar e pesquisar todas as formas de pensamento” (17:00), por exemplo, o médico considera que espiritualidade seja um tema tão facilmente consensual que possa até mesmo ser ensinado na universidade da maneira pela qual ele o entende.

A partir disso o médico cita uma frase inscrita na praça do relógio na USP para ajudá-lo a expandir o assunto: “No universo da cultura o centro está em toda parte”. Um princípio sublime, sem dúvidas, cuja interpretação o médico distorce ao concluir que: “Então o centro de uma universidade não pode estar baseado em uma cultura materialista, sobretudo quando o todo que sustenta nossas universidades é de aculturamento espiritualista. Seria um contra senso.” (17:32). Ora, se o centro do universo está em toda parte ele não pode estar sustentado somente num eixo –  como o ponto de vista materialista, por exemplo –, ao passo que seria parcial e restritivo por adotar uma ótica única para julgar a totalidade da cultura, no entanto, o mesmo vale para qualquer outro eixo cultural, inclusive aquele das pessoas que sustentam a universidade. Se o centro está em toda parte não faz sentido que a universidade seja materialista e nem mesmo espiritualista: os mesmos motivos válidos para um lado são válidos para o outro e ela deve ser universal e colocar o centro em toda parte – não é esse o sentido da frase? A impressão que tenho ao ouvir o palestrante dizer isso é que não há problema na escolha de um centro para a universidade, desde que seja o centro “correto”.

Essa concepção vai tão longe que o palestrante é levado a crer que até psicólogos estrangeiros concordaram com o seu modo de pensar e, citando um documento da associação americana de psiquiatras que afirma que o médico deve se precaver para não diagnosticar fenômenos espirituais como alucinações ou psicoses, Sérgio conclui que os psiquiatras americanos assentem com seu modo de pensar a espiritualidade: “O médico hoje (…) tem recursos dentro da medicina oficial para saber se aquela pessoa está sofrendo de um mal psiquiátrico primariamente, ou se ela está sofrendo de um problema de mediunidade” (21:45). Caso ele tenha razão, então considerações sobre espírito, alma e deus fazem parte da ciência tal qual é praticada lá pelas bandas dos Estados Unidos – um escândalo, não? O raciocínio é o seguinte: se os psiquiatras admitem que fenômenos espirituais vividos por pacientes não são alucinações ou psicoses, então eles só podem ser manifestações espirituais legítimas, logo, os psiquiatras americanos aceitariam a mesma espiritualidade que Sérgio Felipe professa: “Espiritualidade entra oficialmente dentro da medicina como um consenso [grifo meu] das nações unidas” (19:16). Desenvolvamos isso melhor.

Pergunto: quando alguém diz que teve um sonho com um parente morto, por exemplo, ou quando alguém entra num templo e se enche de deus, trata-se de uma alucinação? Mais: uma pessoa conversa com um padre e sai do confessionário revivida, sentindo que deus a perdoou, está delirando? Certo, pode acontecer que sim, afinal há muita gente biruta por aí, mas creio que seria somente numa parte pequena dos casos. Experiências assim – espirituais, se quiserem – são bastante comuns e não precisamos considerá-las como padecimentos físicos. Quem leu O alienista conhece o risco de tratarmos cada comportamento incomum como sendo doentio e, bem dizendo, é exatamente esse risco que o documento quer evitar: comportamentos que envolvam a espiritualidade do paciente não devem ser simplesmente tratados como doentios e constituir motivo para a medicação do mesmo, quer dizer, quem vê deus nas nuvens, quem tem um pressentimento de que o destino reservou uma coisa especial para si, ou qualquer coisa parecida, não precisa estar louco. Afirmar isso, todavia, não significa assentir que deus perdoa as pessoas que se confessam e é por isso que elas se sentem aliviadas, nem dizer que pessoas que pensem incorporar espíritos estejam mesmo incorporando, ou algo do tipo, mas que é possível lidar com um paciente que apresente tais comportamentos sem tratá-lo como alguém que delira ou alucina, apenas compreendendo seu jeito como um modo de pensar e se relacionar com o mundo. É por isso que a espiritualidade deve ser considerada no trato com os pacientes: porque eles frequentemente acreditam nela e vivem com base nela. Os psiquiatras americanos não estão fazendo uma afirmação de fé ou dizendo que espiritualidade tem fenômenos com causas metafísicas reais, mas defendendo que a espiritualidade pode ser estudada fora do escopo das desordens físicas e mentais. Aí está o consenso dos médicos e ele não envolve nenhuma metafísica.

Finalizando: o materialismo é mesmo verdadeiro?

Bem, com tudo o que disse até aqui creio ser possível perceber como o médico pensa e de que maneira ele erra ao pensar assim. Além disso, embora tenham sido afirmadas muitas coisas que deixei de lado ao elaborar este guia e várias outras tenham sido rearranjadas para que melhor se concatenassem neste texto, espero ter feito uma análise justa do que foi afirmado.

Terminados os primeiros vinte e dois minutos o médico passa a misturar indiscriminadamente uma descrição científica da pineal com o espiritismo kardecista, sem dizer o que vem de um e o que vem do outro, adicionando a isso coisas bizarras como ectoplasma, mediunidade, incorporação, vibração mental, imagens de power point mostrando pessoas fora do corpo no melhor estilo do cinema trash, citações em que Santo Agostinho (um católico convicto) é usado para afirmar a mediunidade, a alegação de que gêmeos são distinguidos constitucionalmente porque possuem, cada um deles, uma alma singular e várias outros dizeres que soam arrepiantes diante do bom senso. Analisar a palestra até o fim seria uma tarefa inglória, tendo em vista que o texto até aqui já ficou imenso.

Antes de pôr fim a isso tudo, no entanto, eu gostaria de melhorar o que apenas mencionei no princípio do texto. Trata-se do seguinte: embora os argumentos do médico para recusar o materialismo sejam pedestres, disso não se segue que não possam ser formulados bons motivos para recusar o materialismo.

Se estivéssemos a discutir seriamente o assunto, isto é, com um bom domínio do que ele envolve, poderíamos começar nos perguntando como, por exemplo, é possível falar de materialismo em relação à mente, uma vez que o conceito de mente é pressuposto em toda investigação do assunto e antecede a empiria. A mente não é um dado tal qual um neurônio ou um cérebro que possa ser investigado com um bisturi suficientemente afiado e, mesmo que todos tenhamos acesso à nossa própria mente, só podemos supor que as demais sejam parecidas com ela: os outros humanos provavelmente pensam, tem sentimentos e coisas assim, contudo, agrupar esses elementos e supor que sejam comuns a todas as pessoas é suficiente para formar um conceito, mas não um dado empírico. Em outras palavras, a mente continua inacessível à ciência por meios diretos e para falar dela continuamos supondo o que ela seja sem acessá-la empiricamente. Ademais, pelo menos na aparência, temos mais estados mentais do que atividades cerebrais correspondentes, sendo que uma mesma fotografia do cérebro pode corresponder a mais de um pensamento ou estado da mente. Isso significaria que nem toda a mente é redutível ao cérebro? Tenho a impressão de que não, pois talvez o aprimoramento técnico possa precisar melhor o que ocorre no cérebro, mas uma boa discussão poderia se iniciar daí.

Com tudo isso que foi dito quero afirmar que o modo pelo qual o médico prossegue é ruim, mas que a discussão é boa e pode ser feita com propriedade. Aliás, é o que espero ter começado aqui, talvez até conseguido.

1 Antes que alguém contra-ataque: átomos não são imateriais, leis não são entidades mas descrições de comportamentos e, por óbvio, o fato da ciência não considerar entidades imateriais não implica em sua inexistência.

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49 Respostas to “Guia cético para a palestra “A glândula pineal” – Sérgio Felipe de Oliveira”

  1. homemsemsobrenome 23/11/2013 às 15:14 #

    André, quanto ao seu comentário sobre os buracos negros, eu o considerei mais como uma objeção que como uma correção do texto, por isso decidi manter o texto como estava e responder a isso fora dele.

    Eu acho que você tem razão e que a comparação da mente com o buraco negro funciona: ambos são empiricamente inacessíveis e os verificamos por meio de seus efeitos sem que isso impossibilite a investigação, no entanto, fico pensando se não haveria um complicador a mais no caso da mente que seria o fato de que, enquanto podemos supor uma unidade entre os buracos negros e estudar todos a partir de um mesmo conceito, no caso da mente isso seria mais complexo, já que elas possuem vários elementos que são acessíveis apenas à percepção do sujeito para si mesmo (o meu vermelho, por exemplo) e que, com isso, não podem ser conceituados de modo tão exato, nem verificados por meio de efeitos, como fazemos com o buraco negro. Talvez isso implique na separação entre esses elementos e aquilo que possa ser identificado como comum a todas as mentes, mas sinceramente não sei.

    Ah, espero que o post tenha fico bom, para mim só ficou distinta a quebra de páginas, mas acho que isso não importa muito. Depois vocês me ensinam como fazer.

    • Luciane Lima Costa e Silva 18/06/2015 às 01:39 #

      Muita ciência afasta a gente de Deus porque queremos explicar o q ainda nao temos condicao. Desde que nasci sou médium gracas a Deus a convivência com os espiritos acabou com o meu ceticismo secular. Deus os ama e nao precisa que creiam nele, apenas que sejam boas pessoas que facam o bem. O resto nao tem importancia. Sejam bons!

      • Wellington Fernandes Silva 07/02/2016 às 14:51 #

        O engraçado é que estes seres imaginários não existem sem pessoas (matéria).
        Desde o teu nascimento você ainda está doente.

      • Anônimo 19/06/2017 às 05:54 #

        Saudações.
        Quando se trata de sustentar supostas provas a favor dos fenômenos, os crentes são pródigos em seus argumentos, buscam os apelos à autoridade de cientistas, se esforçam muito. Mas quando estão à frente das refutações, apelam para a velha pieguice do “Deus te ama” ou “o importante é fazer o bem”. Velhos e desgastados slogans como as frases de cientistas famosos que, sob olhar crítico nada dizem como “muita ciência afasta a gente de Deus”. Sobre este ponto, é verdade; a ciência afastou muita gente de crenças e mitos inúteis, procurando realizar aquilo que a humanidade necessitava como a cura de doenças que afligiam as sociedades primitivas, produziu tecnologia e com a aquiescência silenciosa destes mesmos crentes.
        No fundo, tudo se resume à força dos discursos. A religião perde clientes e se esforça para pintar seu quadro ainda em branco, com algo que atraia o seu público em debandada.

  2. Rafael Neiva 27/03/2014 às 02:20 #

    Primeiramente, parabéns pelo texto. Estava navegando por aí nessa madrugada com diversas dúvidas sobre a vida, diversas teorias minhas, e de outros, que tento encontrar uma resposta coesa. Resolvi estudar medicina por conta própria (75% wikipédia) e estava procurando informações sobre a “indecifrável” Glândula Pineal. Me esbarrei com essa palestra do Dr. Sérgio. Depois de ver e prestar bastante atenção nos argumentos dele, resolvi procurar mais informações sobre ele. E seu blog foi um dos que me chamou a atenção para ler a respeito. Não vou me vangloriar pelo que escrevo aqui, até porque sou um mero Analista de Sistemas que fica até de madrugada na internet depois de causar confusão nos neurônios. Gozo da minha liberdade agora para tentar escrever algo que me deixaria feliz de compartilhar.
    Depois de ver a palestra e concordar com diversas coisas do que o Dr. Sérgio disse eu pensava que um dos maiores mistérios da humanidade havia sido desvendado. Porém depois de ver ele falando, a maneira como se expressava, os bons argumentos, gestos, anedotas, … percebi que o assunto não era levado tão a sério e parei aos 19 minutos. Ele citou algumas informações sobre si próprio e sobre outras coisas que enquadrei-as como “duvidosas” dentro de minha pesquisa empírica. Pesquisando um pouco mais encontrei um link que me chamou a atenção, http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?metodo=apresentar&id=K4455241U0, o qual compartilho com você, caso tenha interesse. Depois de lê-lo por completo, notei que algumas das informações citadas no vídeo como aulas/palestras/congressos em universidades européias não estavam citadas em seu currículo. Aliás ~90% das palestras e afins do professor, citadas no currículo, são em instituições espíritas. Logo, em minha análise empírica, determinei que o Dr. Sérgio “aumentava um pouquinho” as coisas.

    • homemsemsobrenome 30/03/2014 às 13:29 #

      Oi, Rafael,

      Obrigado pelos elogios. Eu tinha lido um texto, agora esqueci o nome do autor, que era uma espécie de dossiê em que o autor comentava coisas como essas que você cita, que tornam meio dubitáveis algumas coisas acerca do Sérgio Felipe. Eu fiz o texto mais por gostar bastante da discussão em que ele entra, aí me pareceu que seria melhor ficar somente nos argumentos, que são bem ruins, infelizmente. Acho que ele é bem leviano na palestra e acredito que seja possível que ele o seja também relacionado a outras coisas, mas, sinceramente, eu não investigo muito longe nisso não, acho que não precisamos chegar tão perto, hahaha

  3. marcos costa 18/05/2014 às 10:43 #

    Acho que o ceticismo também é uma busca para respostas que ninguém possui ainda, infelizmente. Acho, particularmente, que o fato de não sabermos nada, em alusão a Sócrates, não a Lula, e estarmos sempre buscando resposta pra tudo faz parte de um processo, talvez criado por alguém, sei lá, mas o que vejo é que nem a ciência, nem a filosofia, nem a religião e tão pouco o ceticismo conseguem ter explicações para tantos mistérios que envolvem a nossa existência. É mesmo uma pena mas não temos outra alternativa se não, continuar buscando as respostas e acho que seu trabalho tem importância neste sentido.
    abç.

    • homemsemsobrenome 18/05/2014 às 17:18 #

      Gosto do seu modo de pensar. Lembra um poema do Manoel de Barros quando ele diz assim: “Todos os caminhos levam à ignorância”. Acho que não temos muita escolha senão conviver com nossa falta de conhecimento. Eu tento, na medida de minha possibilidade, admitir o que não sei e tentar levar as pessoas a perceberem que elas não sabem também. Acho que, no fundo, isso nos leva a uma maior compaixão pelo outro na medida em que nos assemelha em nossa finitude.

  4. Arnon Lessa 22/05/2014 às 13:01 #

    Eu penso que Nós seres humanos temos uma difícil e inevitável tarefa a cumprir…
    viver ao mesmo tempo em dois mundos distintos, o mundo real (físico, Material) e o mundo virtual (pensamento, imagens).
    Nós somos um corpo com uma mente ou uma mente com um corpo?
    Eu devo dizer: minha mente(alma, espírito etc…) ou eu sou “mente”??
    Respondemos fisicamente ou emocionalmente a estímulos de ambos os mundos.
    Se observamos uma pessoa chupando um limão(estímulo externo) nossa boca enche de saliva, se fecharmos os olhos e imaginarmos uma pessoa chupando um limão(estímulo interno) também nossa boca vai se encher de saliva, essa parte do cérebro que responde ao estímulo não sabe se é real ou imaginação.
    Uma pessoa fica em estado de êxtase em uma igreja, recebendo estímulos externos com uma musica linda ao fundo, com centenas de pessoas rezando freneticamente, com o pastor rezando e chorando ao mesmo tempo, e recebendo estimulo interno imaginando deus, uma luz ou jesus, anjos, o paraíso, etc etc….(os pastores sabem muito bem como induzir um êxtase)
    Eu penso até, me provem o contrário, que nós temos um corpo físico porque vivemos em um mundo físico (o único que temos até agora) e temos um cérebro que evoluiu para que pudéssemos nos comunicar através da linguagem falada e escrita, e para que pudéssemos criar imagens a partir dessa linguagem e da memória, tudo para efeito de interação, comunicação.
    Quando um caçador dizia aos membros do seu grupo que viu um animal enorme muito forte com quatro patas com dois chifres acima do nariz e que esse animal correu atraz dele e tentou mata-lo, os outros criaram uma imagem desse animal e quando posteriormente se depararam com um rinoceronte ligaram a imagem(animal perigoso) fornecida ao rinoceronte e fugiram imediatamente.
    Quando conseguimos imaginar a nossa própria morte começamos também a imaginar a vida após a morte, a vida eterna, deuses, paraísos.
    Antes de qualquer coisa precisamos descobrir que realmente somos, quem e o que é o “EU”.
    Gostaria de fazer uma pergunta sobre a palestra do Dr. Sergio Felipe:
    Vamos imaginar um ser espiritual interagindo com uma pessoa….
    pergunta: o ser espiritual tem um cérebro espiritual ?, uma pineal espiritual ?, existe ainda uma mente acima do ser espiritual ?

    Um grande abraço!

    • homemsemsobrenome 22/05/2014 às 20:50 #

      Esse é um lado engraçado do espiritismo: eles pensam a espiritualidade com os mesmos referenciais que usamos no mundo físico, o que as leva a crer que espíritos tenham corpos espirituais (perispíritos), que existam coisas como éter, matéria espiritual, e que, assim como cá no mundo material, os humanos habitem cidades no além. Pensando agora, eles são antropomórficos de um modo bem radical.

      O mais curioso é que na palestra o médico até cita o Agostinho para reforçar o que ele defende, porém, o Agostinho é um filósofo que tem todo um pensamento que tenta pensar a espiritualidade sem esses referenciais do corpo. Um contrasenso.

      • Pancho 09/06/2014 às 11:18 #

        Mas o éter existe e foi recentemente descoberto quando descobriram o Bóson de Higgs. O Éter é o Campo de Higgs (Fluído Cósmico Universal, citado no Livro dos Espíritos).

      • Flávia Adriana 01/12/2015 às 12:02 #

        Amigo, eu sou espirita e posso te garantir, a ciência está bem próxima de descobrir o que a doutrina já nos trouxe. Não é questão de crença, é de ciência mesmo, como a Doutrina espírita o é – um ramo do conhecimento, o espiritual, disposto para que toda a humanidade se sirva dele.

        Santo Agostinho é um dos espíritos que cooperaram na Codificação trazida por Kardec.

        O trabalho do Dr. Sérgio Felipe é um dos exemplos dos vários esforços de se trazer a lume o que já está claro para qualquer espirita (que estuda a Doutrina – sim, pq há quem se diga espírita só porque frequenta palestra, sem interesse de analisar nada, nem de melhorar-se).

        O teu texto é muito interessante mesmo – surge como um medidor do alcance desses esforços para trazer ao mundo uma visão integral da Vida.

        Obrigada pela lucidez e especialmente pelo respeito com que tratou do tema, demonstrando que é saudável sim expor, pontuar, quando o interesse comum é o da busca da verdade.

        Sábado e domingo passado (28 e 29/11/2015), tivemos congresso com o Dr. Sergio Felipe sobre Medicina e Espiritualidade, aqui em Porto Velho-RO, por ocasião da II Semana Espírita de Porto Velho, motivando minhas pesquisas a respeito, o que me trouxe à sua página. 🙂

        Continue sua busca. É por aí mesmo.
        Todo o esforço de trazer a reflexão é muito válido.
        Obrigada pelo texto.

        P.S.: Talvez vc já conheça, mas se servir para algum esclarecimento, eis um pouco da base que fundamenta a argumentação do Dr. Sérgio Felipe a respeito da natureza material e imaterial da Vida:

        https://livrodosespiritos.wordpress.com/as-causas-primarias/capitulo-2-elementos-gerais-do-universo/ii-espirito-e-materia/

        https://livrodosespiritos.wordpress.com/mundo-dos-espiritos/cap-1-dos-espiritos/i-origem-e-natureza-dos-espiritos/

      • Bruno de Oliveira 01/12/2015 às 12:55 #

        Oi, Flávia,

        Agradeço bastante a apreciação do texto e as indicações.

        O espiritismo foi a última religião que tive e ainda hoje tenho certo carinho pelas pessoas que fazem parte dela, mesmo não acreditando mais na doutrina.

        Obviamente, somos discordantes com relação ao que a ciência trará nos próximos anos, mas como nem eu nem você somos cientistas, podemos nos dar ao luxo de sentar e apreciar o que quer que a ciência nos traga. Vamos torcer para que seja algo muito bom, independentemente do que isso significar para nossas crenças pessoais.

  5. brasil79 26/05/2014 às 11:58 #

    Parece-me que você só entende e aceita o que é matéria, objeto da ciência. Sabe então, que matéria é energia. A ciência entende o que é energia e de onde ela vem? Se você acha que sim, relacione quais experimentos medem a energia (como bom cientista, não vá querer responder com medições dos seus efeitos, que não é a mesma coisa). Se a energia é a mesma, seja se transformando em calor ou eletricidade, ela não é o próprio calor ou a eletricidade, e sim algo que se transforma neles. Meça-a e mostre-a, pois, é matéria. Você consegue? Limite-se a pensar no universo com conceitos puramente materialistas e veja se, com sinceridade você está compreendendo o que é e de onde vem tudo. A energia nos permeia e não chamais isso de ocultismo ou espirtitualismo. É preciso ter a mente aberta e perspicaz.
    Um abraço.
    Robson

    • homemsemsobrenome 26/05/2014 às 13:15 #

      Acho que as aparências enganaram você, brasil79, pois o texto não é uma apologia do materialismo, na verdade, ele até o problematiza…

    • André Luzardo 26/05/2014 às 13:51 #

      Não é preciso postular o imaterial para entender o conceito de energia; matemática e física basta. O significado de energia depende da área: em física ela é uma construção matemática muito útil, e é derivada sempre de objetos físicos (materiais). É possível contudo ter energia sem ter massa como é o caso da luz, mas a luz interage de maneira bem física com a matéria, sem precisar apelar para nenhum conceito “imaterial”.

      “Devemos ter a mente aberta, mas não tão aberta que o cérebro caia.” – Carl Sagan

  6. Pancho 09/06/2014 às 11:23 #

    PSC:

    Física Quântica e Vida Após a Morte – Stuart Hameroff & Sir Roger Penrose: https://www.youtube.com/watch?v=UrOe0Q4LLsw

    Mecânica quântica explica a existência da alma: http://hypescience.com/mecanica-quantica-explica-a-existencia-da-alma

    • Bruno de Oliveira 10/06/2014 às 00:36 #

      Pancho,

      A própria notícia que você postou diz que o que eles fazem é controverso e não tem validação na comunidade científica.

      A meu ver, parece apenas outra extrapolação da filosofia para a ciência, mas, se não for, que o futuro prove que estou errado.

      O que me irrita nessas coisas é que a cada século e a cada esquina surjam outros gurus que, embora afirmem apresentar novidades, ressuscitam versões vulgarizadas das mesmas ideias de sempre: deus, alma imortal, “você constrói seu mundo”, evolução consciente, etc. Até os cientistas caem nisso quando são muito inconscientes do que consiste sua atividade, como é o caso do Sergio Felipe.

      Curiosamente, nenhum dos gurus da ciência noética, logosofia, conscienciologia, espiritismo e tantos outros, tem alguma verdade chocante para revelar. Todos vem dizer o que já estava contido em tradições mais antigas que influenciaram profundamente sua própria cultura. Nenhum deles traz a resolução de um novo teorema matemático, a cura de uma doença, uma predição perfeita e testável… Todos eles apenas reformulam coisas que poderiam ser pensadas por qualquer indivíduo que tenha se nutrido do que está dado em sua própria cultura. Ou a verdade é bem decepcionante, ou esses gurus são apenas reprodutores de sua própria cultura.

      Felizmente, a ciência passa longe dessa gente, tanto que eles mesmos querem tentar ganhar algum prestígio dizendo que eles também são ciência, que a ciência valida o que eles pensam, ou que um dia ela chegará numa verdade que eles sempre souberam.

      Não se iluda, Pancho: essa gente não sabe de nada e, a rigor, nem os cientistas sabem, só que os últimos vão descobrir alguma coisa, os primeiros, não.

      • Pedro Gilberto Souza 15/10/2016 às 00:30 #

        Notei que nesse teu comentário tu diz que o que eles fazem é controverso! Mas também diz que se não for que o futuro prove o contrário, ou seja, também não tem condições de contestar nada pois não tem conhecimento técnico para tal. Diz que a cada século surgem novos gurus, mas já parou pra pensar que se eles voltam a bater na mesma tecla é por que algo os está direcionando para isso? E ainda diz: Ou a verdade é bem decepcionante, ou esses gurus são apenas reprodutores de sua própria cultura. E para fechar com chave de ouro diz que a Ciência passa longe dessa gente! Essa gente inclui apenas o Sir Roger Penrose, uma das 20 maiores inteligências vivas. E só para esclarecer em 15 anos desse estudo da Consciência, ninguém conseguiu ainda colocar por terra os argumentos de Penrose e Hameroff. Finalizando Não se iluda Pancho: Essa gente não sabe de nada e a rigor nem os cientistas sabem, só que os últimos vão descobrir alguma coisa, os primeiros não!! Será mesmo?

      • Bruno de Oliveira 15/10/2016 às 02:56 #

        Pedro,

        Em sua maioria, acho que as contradições que você está apontando no meu texto são só deficiências da sua leitura dele. Independentemente disso, vou comentar ponto a ponto suas objeções.

        1. Eu não quis dizer que não tenho condições de refutar esses gurus (tanto meu texto é também uma refutação), na verdade, o que afirmei foi que sempre existe a possibilidade de erro e o futuro pode vir a me refutar.
        Obviamente, não sou imune a críticas e por isso sempre dialogo com quem me critica, o que não quer dizer que vou mudar minha opinião apenas porque não concordam comigo, apenas que estou disposto a isso se alguém me apresentar boas razões.

        2. Eu concordo contigo que algo direciona os gurus para os mesmos pontos e para as mesmas conclusões, contudo, acho que são somente os pressupostos culturais que compartilham. Nada mais que isso.

        3. Não conheço os trabalhos do Penrose, mas se ele for um filósofo sério, então ele não é um desses gurus que estou criticando.
        A bem dizer, quando digo “guru”, estou pensando em figuras como Blavatsky, Kardec e companhia, e não gente como Descartes, Agostinho e outros que deram contribuições substanciais para a ciência.

        4. Sobre essa parte de descobrir alguma coisa…Bem, confesso que não me lembro da última vez que um desses gurus apresentou algum conhecimento novo que não fosse recomposição de elementos que já estavam em suas culturas, no máximo, existiram aqueles que, paralelamente aos seus trabalhos mitológicos, fizeram ciência.
        Mas, é claro, você pode me lembrar de algum que eu não esteja lembrando e podemos discutir. Fique a vontade para tanto.

  7. jumentobatizado 25/08/2014 às 04:44 #

    Conforme se preconiza, uma das formas de se produzir um conhecimento novo é confrontar CONHECIMENTO com CONHECIMENTO. No seu caso você até escreve bem MAS, seu texto é totalmente leviano, apaixonado, parcial e partidário. Longe de ser um VERDADEIRO CÉTICO buscador da verdade que ainda é relativa no nosso estado de coisas. Estude mais, leia muito mais, aprenda com quem conhece mais, assim você terá argumentos mais sólidos e menos pueris para defender sua idéia. Isso só demonstra seu nivel de ignorância.

    • homemsemsobrenome 25/08/2014 às 08:56 #

      Jumentobatizado, veja em que situação curiosa você se coloca: acusou-me de ser leviano, parcial, disse que sou um não-cético e me mandou estudar para formular argumentos melhores, no entanto, apesar de todas essas acusações, você condenou levianamente meu texto, não apresentou nenhum argumento ou versão melhor daquilo que eu disse e também não demonstrou nenhum conhecimento do assunto…

      Consegue perceber a contradição? (Você comete tudo aquilo de que me acusa).

  8. Matheus 26/09/2014 às 15:56 #

    Caro autor
    Primeiramente gostaria de parabeniza-lo por se dedicar a reflexões sobre temas que não domina e que, acredito, teríamos uma sociedade muito mais crítica se isso fosse feito com mais frequência e por mais pessoas. Também gostaria de dizer que em um primeiro momento fiquei um pouco chateado com sua análise, pois esta abrange apenas o início do discurso, mas lendo até o final entendi o porquê e também lhe parabenizo por isso. Saber até onde ir e se conter perante o que não entendemos também tem seu mérito. Vendo como você argumenta sobre o que e o que usa para tal, percebe – se que não teria como abranger toda a palestra. Uma “pista” disso é o desespero final em que a razão se perde totalmente bem como a interpretação e tudo fica como um peixe se debatendo ao ser retirado de seu habitat. Fato mostrado no parágrafo mais triste da tímida análise: “Terminados os primeiros vinte e dois minutos o médico…”.
    Meu real intuito, no entanto não é de mostrar isso, mas sim de seus devaneios e contradições, os quais usa como ferramenta de julgamento constante do palestrante, mas que são suas marcas autorais.
    Inicialmente, você começa tentando substituir por filosófico o caráter científico da palestra. Ora, com isso você ao mesmo tempo em que subestima a filosofia como uma espécie de pseudoconhecimento, arcaico e digno dos ignorantes, você superestima a ciência como única detentora dos meios de demonstração da verdade. Amigo, você bem sabe que a ciência muda constantemente e que ninguém vive segundo ela, pois seus apontamentos são voláteis e mutáveis. Vivemos de acordo com filosofias de vida, de códigos morais e de padrões éticos. A ciência contempla nossa realidade melhorando-a no sentido de nos propiciar uma existência mais produtiva e confortável. A palestra possui predominantemente aspecto científico pois que é baseada em observações, evidências comprovadas e capazes de serem repetidas e suas lógicas conclusões e discussões. Se você já leu algum trabalho científico (real, não colunas da revista Science) vai perceber que esse é o método para se expor.
    Agora com base na alegoria dos alienígenas. Sua perturbação é muito evidente ao recorrer à sensos comuns “Suponho que em algum momento da vida todos nós já ouvimos algo assim” e sua ausência de argumento se mostra nas indagações, dignas de um sacerdote sendo perturbado em sua zona de conforto “Ocorre, porém, que nossos amigos extraterrestres ainda não deram as caras por aqui e com isso não temos considerado procurar mentes nos diversos compostos de carbono”. O que lembra um “argumento” católico contra o evolucionismo “vocês não escavaram o mundo inteiro”, patético. Mas respeito sua opinião de que a complexidade da carne seria suficiente para explicar a complexidade humana. Vou sugerir uma linha de pesquisa em que equipemos um bife com neurônios dos mais simples, aqueles usados por cnidários e vamos ver se este conseguirá seguer disparar um nematocisto.
    A respeito das duas analogias fica claro a simplicidade de sua interpretação tentando reduzi-la a elementos conhecidos, e que a real ideal foi perdido no meio de seu preconceito. Não vou me delongar quanto à isso, mas se quiser saber a respeito procure no google sobre o teorema de Guedel. Digno de comentário também se mostra a influência católica de seu discurso, ao citar Deus como programador. Atavismos católicos na maioria das vezes empobrecem a argumentação e seria prudente contê-los.
    Você acusa o cientista de não usar um método científico, de possuir um preconceito e tentar provar este. Bem, a ciência na maioria das vezes parte do que É, para o PORQUÊ É, como: tenho aterosclerose, mas, por que tenho? É assim que os mais sólidos pensamentos e conhecimentos vêm sendo sedimentados; uma pesquisa ai também seria bem vinda.
    Você se esperneia muito no fato de que a realidade e a existência não são termos científicos. Por acaso já procurou se inteirar sobre do que se trata algumas pesquisas de Stephen Hawking? Sobre realidadeS, isso mesmo, não apenas uma, mas várias. Novamente: pesquise. Agora se para você Hawking não é ciência, bem… Outra curiosidade de seu texto, a matéria não é quantificada? Então o que é? Cuidado amigo são essas contradições que empobrecem seu texto. Mais uma: você diz que o materialismo está fora do âmbito da ciência, logo esta é incompleta e não serve como determinadora da verdade. Opa! Sobre o que estamos discutindo aqui então? Reflita. Quando você diz que uma tese vai além do campo da ciência, você automaticamente aceita que há algo além, e de fato há e você o confirma inconscientemente. O convido a ler mais sobre o que há nesse campo. Gostaria também de lhe falar que não há nada fora da ciência. Isso mesmo! Nada! Nem religião nem filosofia. Não passam de formas diferentes de conhecimento, mas sobre o mesmo conhecimento! Vamos interpretar melhor e fazer como já estão fazendo milhares de pesquisadores no mundo: vamos apoiar ambas as esferas, pois um ser humano necessita de sua filosofia para viver, se não este fica vazio e sem propósitos, pois como Voltaire mesmo disse: “Se Deus não existe, isso tudo aqui não passa de uma grande piada de mau gosto”.
    E você me surpreendeu em mais vezes, ao afirmar o que digo. Quando você coloca que “a racionalização faz com que possamos realizar inferências sobre o que não está na própria percepção”. Bravo caro amigo! Deus e para muitas pessoas o mundo espiritual não estão em nossas percepções, mas como você mesmo põem, basta raciocinarmos e não ficar no comodismo do materialismo fingindo que nada disso existe. Pois existem, e elas não dependem de que acreditemos nelas para existirem.
    Agora infelizmente um erro: você diz que a ciência desconsidera Deuses e extraterrestres. Não é verdade, pois para a ciência e inclusive é uma das teorias sobre a origem da vida na terra, há seres extraterrestres, e algumas comunicações no espaço já foram feitas. Pesquise mais obre isso. E como um cara inteligente já falou: A racionalização faz com que possamos realizar inferências sobre o que não está na própria percepção. Bem, você acha que com tantos planetas, galáxias e estrelas, só há vida aqui? 😉
    Você diz que na universidade de estudam apenas temas consensuais. Perdoe-me, mas dessa eu ri. Na universidade se estudam TODOS os temas, e em sua grande maioria eles causam grande divergência. Lá é que são debatidos com profundidade os temas não consensuais.
    Amigo autor, você tenta desesperadamente embutir contradições na palestra, acusa-o de pensar errado e interpreta as coisas da maneira mais ridícula e infantil possível. Não faça o que a igreja fazia por meio de seus inquisidores, você não é capaz nem hábil de julgar ninguém. Você se perde em contradições, em erros, em superficialidades sem hora alguma atingir os verdadeiros significados das questões. Possui uma pesquisa (pelo menos no texto ficou evidente) fraca e superficial e eu o convido a ler mais. Se você se considera um cético, leia Bertrand Russell e veja como ele argumentava, tenho certeza que irá enriquecer o blog. Abraços fraternos e me desculpe caso o ofendi, não foi hora alguma minha intenção.

    • homemsemsobrenome 27/09/2014 às 14:10 #

      Olá, Matheus,

      Agradeço a apreciação do texto, mas creio que você fez uma interpretação bastante equívoca dele, por isso, apresentarei alguns dos problemas mais óbvios dessa leitura e te convidarei a fazer uma releitura mais cuidadosa.

      Exporei primeiramente o que você diz e depois argumentarei.

      1. “(…) você começa tentando substituir por filosófico o caráter científico da palestra (…) com isso você ao mesmo tempo em que subestima a filosofia como uma espécie de pseudoconhecimento, arcaico e digno dos ignorantes, você superestima a ciência como única detentora dos meios de demonstração da verdade”.

      Matheus, o texto não pretende substituir, no contexto da palestra, a ciência pela filosofia, mas separar ambas, definindo seus campos de atuação e seus métodos para que assim que fique claro, na fala do médico, o que provem de uma demonstração científica e o que provém de uma demonstração filosófica. A questão principal do texto é a confusão das áreas de atuação e não o desmerecimento de uma em função da outra.

      2. “A palestra possui predominantemente aspecto científico pois que é baseada em observações, evidências comprovadas e capazes de serem repetidas e suas lógicas conclusões e discussões. Se você já leu algum trabalho científico (real, não colunas da revista Science) vai perceber que esse é o método para se expor.”

      Caso você possa provar isso eu terei que renegar meu texto, então, por favor, apresente quais são as evidências do médico no contexto da palestra, além de mim, há cientistas nesse blogue que gostariam mesmo de dialogar com elas.
      Desde já, contudo, te dou uma dica: os minutos que eu deixei de fora não vão te ajudar, eles caem em problemas (muito) piores que aqueles que apontei.

      3. Você afirma que no tocante a alegoria dos alienígenas eu recorro ao senso comum e dependo uma espécie de lacuna como argumento.

      Sem delongas: isso é um erro, o que tentei afirmar era que os indícios disponíveis condicionam o olhar da ciência, sendo que onde não há indícios não são feitas investigações. Deste modo, sem que exista algum indício da existência da mente em outras formas além daquelas a que comumente temos acesso, então os cientistas não considerarão procurar a mente em outros locais. Não se trata, portanto, de defender que a complexidade da carne explica, em absoluto, a mente (o que seria uma alegação metafísica), mas o fato de que só temos encontrado indícios na carne que possibilitam explicar a mente, por isso, só a carne é investigada (uma posição metodológica científica) na procura da mente. Se surgirem evidências do oposto, se os aliens passarem aqui na terra, aí teremos que mudar de postura.

      4. “Bem, a ciência na maioria das vezes parte do que É, para o PORQUÊ É”.

      Não, Matheus, a ciência é descritiva, ela descreve os processos tais como eles ocorrem e mesmo quando pergunta a causa das coisas, é para chegar numa outra descrição daquilo que está dado.

      5. “Por acaso já procurou se inteirar sobre do que se trata algumas pesquisas de Stephen Hawking? Sobre realidadeS, isso mesmo, não apenas uma, mas várias. Novamente: pesquise”

      Matheus, realidade e existência podem ter diversos sentidos de acordo com aquilo que está em questão, de modo que podem ter ou não alguma coisa que ver com o que os cientistas atuais estão tratando. São termos que carecem de definição e não podem ser usados livremente.

      6. “Outra curiosidade de seu texto, a matéria não é quantificada? Então o que é? Cuidado amigo são essas contradições que empobrecem seu texto.”

      Eu pergunto de volta: de onde você tirou isso?

      7. “Mais uma: você diz que o materialismo está fora do âmbito da ciência, logo esta é incompleta e não serve como determinadora da verdade. Opa! Sobre o que estamos discutindo aqui então?”

      Estamos discutindo filosofia, Matheus…

      8. “Quando você diz que uma tese vai além do campo da ciência, você automaticamente aceita que há algo além, e de fato há e você o confirma inconscientemente.”

      Há campos de estudo distintos, Matheus, de modo que a filosofia aborda determinadas com coisas com determinado método, ao passo que a ciência aborda outras coisas com outro método. Não estou discutindo a realidade e o que existe além dela, mas a divisão dos campos de estudo.

      9. “(…) pois um ser humano necessita de sua filosofia para viver”

      Não. Matheus, não precisa, o ser humano sempre viveu sem filosofia. Pouca gente precisa de filosofia para viver e aquelas que precisam não entendem filosofia nesse sentido banal que você está utilizando.

      10: “Você diz que na universidade de estudam apenas temas consensuais.”

      De onde você tirou isso?

      • Matheus 02/03/2015 às 16:56 #

        Boa tarde Autor.

        Peço desculpas por demorar a lhe responder o comentário. As questões que você apontou sobre meu comentário, bem como suas respostas não necessitam de uma contra resposta minha, basta ler seu texto e ver a palestra para constatar; com exceção da de número 9.

        Qualquer ser humano, dotado de raciocínio e consciência de si mesmo necessita de uma filosofia, embora a maioria deles não chame assim seu “código de conduta pessoal”. Você nem eu conhecemos todas as pessoas que viveram de modo que podemos recorrer apenas à história. A grande maioria dos personagens históricos viveu uma ética ateísta, de modo que podemos afirmar que a grande maioria das pessoas é, em sua essência, ateia em relação ao Deus mitológico das religiões de massa. Ninguém crê em um Deus vingativo, em um castigo ou prazer eterno e muito menos em uma figura como o Diabo. A prova disso é simples: suas ações. As ações das pessoas na maioria das vezes não leva em conta alguma inteligência superior. No entanto, todos seres humanos possuem algumas ideias “pertubadoras” em relação a Deus e à nossa verdadeira essência, ou o espírito. Essas ideias são desconfortáveis para a maioria das pessoas pois elas não se complementam com os sistemas filosóficos cotidianos e de sobrevivência, como: estudar para trabalhar, trabalhar para ganhar dinheiro e esperar a morte. Todos sabemos que isso não faz sentido algum e por isso cada um cria seus argumentos para lhe convencer a agir assim. A filosofia de vida é o que lhe motiva a escrever um texto como esse e para mim ela é o que temos de mais nobre em nossa consciência e nem de longe atribuirei um caráter banal e ela. O mar de confusão gerado pela busca desesperada por explicações fora dos dogmas dominadores e opressores das religiões de massa fizeram surgir sistemas como esse que você pensa defender e que sabe, na essência, que não dá contradiz em nada o que eu defendo, aliás, apenas corrobora e em assuntos que não possui ainda condições de investigação apenas nega. Caso seja possível, poderemos discutir esse assunto com mais detalhes, pois para mim ele é de uma importância fundamental.

        Abraços e desculpe se lhe ofendi em algum momento.

      • luciana cunha 19/02/2016 às 08:34 #

        Caro ,
        nas nuances das suas aberturas de dialogicidade com a consciências do ser filosofia, ciência, materialismo ou mesmo outro conceito dos inúmeros argumentados em todas as interações propostas , vejo e mim a clara inclinação obstinada em assumir-se na dimensão da parcialidade da verdade a qual ainda tenta desmistificar. Falas que tentam colocar a reflexão na seu elan parece-me cair em enorme contradição.
        As questões apresentadas pelo então ” médico” ou ” médium” são provocativas àqueles que ainda não experienciaram os ” elementos” do algo que desde a muito tempo os homens na sua amplitude tentam como você concluir.
        Como médium admito que assim como muitos depoimentos acima traduzem o sentido do cético; vivo a espera de que o crivo que o desconhecimento e a ignorância brutal a qual sofrem pessoas que possuem tipos de sensibilidades não traduzidas nas convenxões dos comportamentos quer sejam aceitos pela sociedade, ciencia, materialismos acabem em sanatórios rotulados privados da liberdade por uma psiquiatria ainda elementar.
        Decodificamos o DNA? falamos por redes? espero do dia que o CiD 45 sejam também um elemento no inicio da pauta de discussão.
        A medicina do Dr Sérgio cria aspectos para um protocolo responsável de medicações e amparos que evitam colapsos severos.
        Ser filósofo, cientista e médico ganham significados quando o resultado significativamente representam hoje ainda estar escrevendo estas linhas e usufruindo da minha liberdade , a maior delas , a liberdade da minha consciência em falar e pensar; na dimensão que claramente o seus registro aponta.

        Muitos ainda estão dopados , o olhos sem brilho, seguros? alguns dizem que sim…. será?
        Meu depoimento a muito não assumia-se …mas este espaço parece uma boa oportunidade.
        Receio da grande coletividade ?
        Apesar de aclamar Nise da Silveira ( filme em cartaz) e seu trabalho poucos na coletividade experimentaram a realidade das questões das investigações ” filosóficas” do Dr. Sérgio Felipe.

      • Bruno de Oliveira 19/02/2016 às 12:47 #

        Oi, Luciana,

        Existem vários problemas graves de redação em seu texto, como falta de concordância, conjugações erradas e mal emprego das palavras, por isso, talvez eu não responda exatamente o que você colocou por não ter te entendido bem.
        Caso escrever minimamente bem seja importante para você, recomendo que procure ajuda.

        Seguem as respostas:

        1. Se bem entendi, você crê que o médico e alguns outros tem verdades que a ciência ainda está descobrindo, mas isso é apenas um clichê usado para consolar quem é incapaz de provar aquilo que diz e ainda assim não quer abandonar suas crenças. Afinal, se o médico tivesse alguma verdade a apresentar, ele deveria ser capaz de prová-la, mas ele não é.
        Neste espaço, permito que as pessoas apresentem argumentos para melhorar a fala do médico e não tenho nenhum problema com objeções – até os xingamentos dos espíritas eu permito aqui. Por isso, tanto quanto os outros, você está convidada a apresentar seus argumentos e provar o que diz.

        2. Eu concordo que pessoas que tem formas de sensibilidade diferentes da maior parte da população tendem a ser excluídas, mas sensibilidade é diferente de mediunidade, as duas coisas não estão implicadas.

        3. Sobre a questão do CID, ela está respondida no corpo do texto e também não tem nenhuma relação com mediunidade. Discutir o CID nunca vai conduzir a medicina ao espiritismo ou a qualquer “espiritualismo”.

        4. O trabalho da Nise da Silveira não tem relação com o trabalho do Sérgio Felipe, aliás, nem filosoficamente, pois ela está bem mais ligada ao Espinosa que a uma filosofia espiritualista como é o espiritismo.

    • Bruno de Oliveira 03/03/2015 às 18:47 #

      Oi, Matheus,

      Sem problemas quanto à demora e às provocações, elas são normais.

      Passando por cima de alguns pormenores que você expôs, creio que quando você diz “filosofia” quer dizer, num sentido mais amplo, algo como um conjunto de crenças e significados que as pessoas atribuem às coisas e que provém da própria experiência delas. A consequência de empregar o termo nesse sentido é equiparar o modo de pensar do homem comum com aqueles do filósofo, diferenciando-os (talvez) apenas pelo grau de sofisticação que possuem.

      É nisso que discordo de ti. Creio que aquilo que as pessoas comumente praticam não é filosofia.

      Em poucas palavras, filosofia é uma atividade bastante específica determinada por uma tradição que nasce lá na Grécia antiga e implica num modo de raciocínio bastante próprio, especificado desde a palavra que dá nome a ele. Por conta disso, mesmo quando as pessoas pensam e chegam a conclusões semelhantes às dos filósofos (que deus existe, que deus não existe ou qualquer outra), elas chegam numa “concepção de mundo” mas não necessariamente filosofia. Para que fosse filosofia seria preciso alcançá-las através dessa maneira específica de pensar da filosofia.

      Nesse sentido, religião não é filosofia, “filosofia de vida”, “filosofia oriental”, tudo isso não é filosofia, elas são outras formas de pensar que respondem de modos diversos às inquietações dos seres humanos e possuem suas próprias formas de raciocínio.

      • Matheus 13/03/2015 às 11:53 #

        Olá Bruno.

        Infelizmente você me entendeu errado. Isso que você disse que eu supostamente acredito: “algo como um conjunto de crenças e significados que as pessoas atribuem às coisas e que provém da própria experiência delas.”, já possui nome e chama-se senso comun ou preconceito. Para mim uma religião é sim uma filosofia, independente de qual for, assim como a ciência o é, basta ver a matemática. Ou seja, para mim a filosofia (ela não nasce na Grécia, e já era praticada muito antes de Sócrates, sim, os livros do ensino médio são equivocados), é todo raciocínio logicamente guiado para refletir sobre algo, não necessariamente atribuindo-lhe sentido. Reflete-se sobre o amor, mas não atribui-se sentido a ele muitas das vezes, reflete-se sobre as relações dos homens em suas comunidades, reflete-se sobre os sentidos de nossas ações… Uma concepção de mundo é uma coisa particular nunca geral. A filosofia não apresenta apenas “um modo” de pensar, visto que existem diversas escolas com seus mais variados padrões.

        Abraços

      • Bruno de Oliveira 13/03/2015 às 13:40 #

        Matheus,

        Religião não é filosofia por razões metodológicas como as que eu coloquei no comentário anterior. Ela não é só um “raciocínio logicamente guiado para refletir sobre algo”, pois podemos refletir de diversas maneiras lógicas sobre um assunto sem que elas sejam filosóficas. A ciência (inclusive nas humanidades), por exemplo, pensa logicamente e nem por isso é filosófica, seu objeto de estudo de seu modo de raciocinar diferem sensivelmente da filosofia, o mesmo valendo para certos aspectos da religião ou da vida comum.

        A filosofia, por sua vez, é uma atividade específica, criada num tempo específico com métodos específicos, por isso, ela tem uma historicidade própria que é requerida para que a entendamos. E essa história começa na Grécia.

        *

        Essa discussão está um pouco datada, mas aqui tem duas fontes sobre a filosofia nascer ou não na Grécia que podem ajudar a elucidar a questão, caso queira aprofundar:

        Um debate com o Ghiraldelli:

        E um texto da Chauí que, se não me engano, está no primeiro volume da Introdução à história da filosofia I:

        http://www.google.com.br/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=2&cad=rja&uact=8&ved=0CCMQFjAB&url=http%3A%2F%2Fghiraldelli.pro.br%2Fwp-content%2Fuploads%2FA-FILOSOFIA-%25C3%2589-GREGA-Chau%25C3%25AD.rtf&ei=HBEDVbGvOaXHsQT5hIJ4&usg=AFQjCNFG9ooKgm9IJOVof1wP7-ZXtpckVw&bvm=bv.88198703,d.cWc

  9. Rafael Marcellino 14/01/2015 às 13:05 #

    Amigo, você conhece a Conscienciologia? Senão, sugiro pesquisar este tema. Abraço
    Rafael

  10. Elpídio Pessatti Avelar 24/02/2015 às 21:30 #

    Parabéns! Texto de alto nível; comentários idem. Sugiro explorar com mais profundidade o assunto sobre extraterrestres. A crença neles é antiga e remonta ao pensador Allan Kardec, ainda no século XIX, obtendo um incremento a partir do “Caso Roswell”, ocorrido em 1947 no Estado do Novo México, EUA. Na minha opinião, um apurado faro empresarial dos moradores de Roswell e de certos escritores charlatães como Erich von Daniken, Charles Berlitz ou Zecharia Sitchin. Ao contrário dos outros dois, este último ainda goza de boa reputação entre os ufologistas – infelizmente.
    Em favor do Dr. Sérgio Felipe, invocarei David Hume: por hábito, cremos que o sol irá nascer amanhã, que haverá pão à mesa, que nossa rotina não será interrompida, etc.
    Ainda em favor do Dr. Sérgio, convoco Merleau Ponty que, contrariando Marx, afirmou ser a abstração, ato imaterial.
    Em favor dos articulistas, concordo que o Dr. Sérgio Felipe não apresentou dados empíricos efetivos – o que desqualifica sua “pesquisa”. Também cometeu um erro muito comum entre pensadores: petição de princípio, isto é, já deu como demonstrada à priori, a tese que desejava provar.
    Sugiro ainda acessar o link apontado pelo leitor Rafael Neiva. Charlatães costumam exagerar o próprio currículo. Por fim, também problematizo o materialismo, revendo Aristóteles e sua famosa premissa: “nenhum ser é causa de si mesmo”. Apesar de achar que um debate sobre materialismo versus espiritualismo ainda vá continuar como aporia, sempre renderá frutos – como tem sido até agora.
    Termino este texto com um obrigado aos autores: pouparam-me uma hora e tanto de vida, que eu desperdiçaria assistindo à tal palestra.

    • Bruno de Oliveira 25/02/2015 às 00:25 #

      Oi, Elpídio,

      Obrigado por ler o texto e pelos elogios.

      Eu sempre duvido que existam pessoas interessadas e, mais ainda, que queiram dialogar em vez de somente atacar posições contrárias.

      Quanto ao texto sobre extraterrestres, infelizmente eu não sou apto para apresentar um bom texto a esse respeito e, bem dizendo, nem conheço adequadamente a discussão. Lembro que “O mundo assombrado por demônios” do Sagan apresenta um longo debate sobre o assunto, mas é a única boa referência que tenho.

      No que diz respeito as citações que você fez, devo dizer que eu conheço razoavelmente Hume e um pouco de Merleau Ponty, mas não tenho ideia do que você quis expressar os citando.
      De qualquer modo, seja lá qual forem nossas posições filosóficas a respeito daquilo que compõe o mundo (matéria ou matéria-espírito), é importante que tenhamos uma boa visão do lugar em que essa discussão filosófica entra para que não cometamos o erro do médico: misturar ingenuamente filosofia e ciência. Acho que, desde que saibamos o que é o quê, é mais que saudável que debatamos a respeito do significado filosófico das descobertas científicas e que nos coloquemos em posições divergentes.

  11. José 30/05/2015 às 19:50 #

    Campo de Higgs = Fluido Cósmico: O Campo de Higgs é o Éter Universal

  12. bira prudente 09/12/2015 às 23:35 #

    Boa a análise, estudos e debates profícuos. As obras kardequianas merecem um estudo profundo, parabéns ao analista pela educação na abordagem.

    • Bruno de Oliveira 10/12/2015 às 00:39 #

      Obrigado, Bira.

      Acredito bastante no debate e faço um esforço deliberado em ser respeitoso com posições diferentes da minha.

      Fico feliz que dê valor a isso.

  13. Rogerio 06/01/2016 às 08:51 #

    Bruno,

    Em sua própria doutrina, o ceticismo argumenta que não é possível afirmar sobre a verdade absoluta de nada, é preciso estar em constante questionamento. Então meu caro, ironicamente os pseudo adeptos do ceticismo também se enquadram nesse conceito. Se não podemos afirmar que tal coisa existe, também é verdadeiro afirmar que ela existe. Então voltamos a mesma ” vaca fria ” quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha ? Na verdade a tua análise sobre os trabalhos do médico Sérgio Felipe, são meras especulações e muito Ctrl C / Ctrl V, vc simplesmente, nem mesmo dentro das tuas teorias sobre o ceticismo, logrou exito em convencer alguém. É lamentável que uma pessoa venha a público criticar alguma coisa sobre a qual não tem o mínimo discernimento ou mesmo conhecimento de causa.

    Fica aqui a lembrança do Rei Juan Carlos da Espanha que em 2007, colocou o infeliz falecido “presidente” da Venezuela Hugo ChaveZ em seu devido lugar!

    ¿POR QUÉ NO TE CALLAS?

    • Bruno de Oliveira 06/01/2016 às 12:26 #

      Oi, Rogerio,

      A objeção que você repete contra o ceticismo é tão antiga quanto essa corrente, sendo a resposta um tanto banal: o ceticismo pretende ser um discurso sistematizado a partir da experiência do filósofo, com isso, ele não estabelece critérios universais de adesão mas é uma posição pessoal a qual o filósofo – um conjunto deles – adere em função de sua experiência.

      Já quanto ao meu texto, devo dizer ele não é uma especulação ou mesmo mesmo uma teoria sobre o ceticismo, mas uma análise que usa o ceticismo como método, de modo que o motivo de eu não me calar é porque aquilo que afirmo está fundamentado em argumentos.

      Você está convidado a refutar todos eles, caso seja capaz.

  14. Dito Passos (@ditopassos) 29/01/2016 às 12:31 #

    Por outro lado se o Dr. Sérgio estiver correto em suas teses você facilmente pode ter servido de marionete emprestando seus dedos ao digitar esse texto acreditando que as ideias para compor ele eram unicamente suas. Facilmente subjugado.

    Máximo respeito ao Dr. Sérgio Felipe de Oliveira pelo simples fato de ter tido coragem de investigar e pesquisar a Glândula Pineal coisa que outros milhões de médicos e cientistas não fizeram.

    O caminho parece ser esse mesmo: estudo e pesquisa. Sempre mais, nunca menos.

    Uma hora a verdade aparece.

    Existe outras palestras do doutor no youtube (https://goo.gl/bqrXg0), inclusivo relatando quadros clínicos reais de pacientes com tendência suicida, viciados em drogas, maniacos depressivos, entre outros, todos segundo o Dr. relacionados a Pineal.

    E só para lembrar o doutor está buscando são as provas do real funcionamento dessa Glândula, logo, está caminhado ao seu lado querido autor cético.

    Não atrapalhe um trabalho sério disseminado ideias contrárias baseadas em uma única palestra ou num estudo cientifico ainda não concluído. Ele busca a verdade assim como você autor. Não se esqueça você também tem um Glândula Pineal. Não se esqueça. Busque a verdade ela pode aparecer para você há qualquer momento..

    Pesquise mais. Sempre mais nunca menos.

    • Bruno de Oliveira 29/01/2016 às 19:55 #

      Oi, Ditos Passos,

      Debater questões científicas e filosóficas não atrapalha nenhum trabalho, apenas fomenta os debates em torno dele, aliás, em ambas as áreas, os melhores trabalhos são também os mais debatidos e criticados.

      Creio que, caso o Sergio tivesse razão, então ele deveria ser capaz de apresentá-las em bons argumentos, afinal, ele não é um qualquer falando sobre um assunto que não domina, mas um cientista que estudou formalmente o assunto.

      Por sinal, mesmo os defensores do médico continuam vindo aqui sem ter nenhum bom argumento para apresentar. Eles me mandam estudar, ler mais e outras coisas assim; contudo, quando peço que argumentem, que me mostrem onde estou errado, aí quase todos somem…

      Parece que argumentar é mais difícil que apenas dizer que o outro está errado, não?

  15. Caju (@cajudp) 29/01/2016 às 12:44 #

    Se não pode ajudar vamos atrapalhar.

    É isso mesmo autor?

    Seu texto não acrescentou conhecimento algum sobre o funcionamento da Glândula Pineal.

    Prestou um belo desserviço além de roubar meu tempo.

    • Bruno de Oliveira 29/01/2016 às 13:59 #

      Caju, acho que você precisa procurar ajuda para aprender como interpretar textos. Imagino que hoje em dia seja bem fácil encontrar.

      Independentemente disso, segue minha reposta:

      1. Meu texto é uma discussão a respeito de um tema e apenas dá elementos para que o debate ocorra. Ele não é um entrave a nada e nem é um desserviço de nenhum tipo.

      2. O texto não é sobre a glândula pineal, mas sobre uma palestra. O tema da palestra é que é a glândula.

      3. Por fim, não te obriguei a ler meu texto. Assim, por uma questão de maturidade, recomendo que você considere que talvez você seja o responsável pelo uso do seu tempo.

  16. Dito Passos (@ditopassos) 30/01/2016 às 10:44 #

    Não procure provas. Procure utilizar sua pineal conscientemente.

    Gentileza excluir meus comentários.

  17. Felipe 27/03/2016 às 14:27 #

    Autor carente. :*

  18. Rafael 22/09/2016 às 01:12 #

    Gostaria de deixar meu apoio sincero ao autor do texto, que, de forma poucas vezes vista, expôs seu ponto de maneira respeitosa, racional e sistemática.

    Deixo também meu repúdio à série de comentários de pessoas que são incapazes de reconhecer um dogma que inconscientemente utilizam para justificar possíveis erros do autor em sua descrição. São pessoas que vêm não para o debate intelectualmente honesto de ideias mas sim para utilizar suas bases de pensamento para, sem grande fundamentação argumentativa, criticar um texto honesto.

    Palavras de um espiritualista que gosta de analisar cada coisa em seu devido lugar e com isenção de conflitos de interesses nas ponderações.

    • Bruno de Oliveira 22/09/2016 às 16:51 #

      Oi, Rafael,

      Muito obrigado pelo apoio.

      Eu entendo que minhas críticas contrariem as pessoas, mas faço questão de deixar claros todos os passos de meu raciocínio a fim de mostrar por quais motivos faço tais críticas.

      Penso que nem sempre as pessoas estão prontas para o debate, pois entendem a contrariedade como um insulto. Mas sigo fazendo meu trabalho e fico feliz que você o reconheça.

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  1. Guia cético para a palestra “A glândula pineal” – Sérgio Felipe de Oliveira | Ao invés do inverso - 23/11/2013

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