Deus continua morto

16 ago

Deus Não Está Morto é um filme propaganda criado pelo estúdio cristão Pure Flix Entertainment e que vem fazendo um certo sucesso no meio evangélico americano. Com estréia marcada para o dia 21 de Agosto no Brasil e com a crescente onda evangélica, o sucesso americano pode acabar se repetindo aqui também. Como o filme se passa em um ambiente acadêmico e é baseado em um livro com o provocante subtítulo “evidências a favor de deus em uma era de incerteza” resolvi fazer uma resenha.

O filme gira em torno do embate entre o professor universitário de filosofia ateu Jeffrey Radisson e o aluno cristão Josh Wheaton. Jeffrey começa sua primeira aula com uma lista de poetas, intelectuais e filósofos, supostamente representativa, e ressalta que todos eles são ateus. Em seguida, sob o pretexto de não perder tempo com esse debate, ele pede, ou melhor demanda, que todos os alunos assinem uma declaração afirmando que “deus está morto”. Que professor de filosofia na vida real faria tal afronta ao pensamento crítico? Obviamente nenhum. Em filosofia ou ciência não se decide nada por decreto; o debate, a lógica e o exame das evidências são sempre necessários. Quem decide o que pensar baseado em decretos ou bulas papais são de fato os religiosos. Mas deixemos esse ponto para o final e voltemos ao filme.

Josh, é claro, rejeita assinar a declaração e Jeffrey então começa sua campanha de perseguição implacável ao pobre aluninho cristão. Jeffrey impõe a Josh defender a posição contrária (deus não está morto) em três palestras e se não for bem sucedido será imediatemente reprovado. A namorada de Josh tem um chilique quando fica sabendo do desafio e tenta dissuadir Josh aterrosiando-o com as implicações negativas que uma reprovação teria na sua carreira futura.

Paralelamente outras tramas se desenrolam. O professor ateu do mal namora Mina, outra personagem cristã, que ele trata como se fosse sua empregada sem carteira assinada. Mina é um amor de pessoa, que toma conta da sua velha mãe que sofre de demência e não lembra mais de muita coisa. Mina tem um irmão do mal ateu, Mark, que não dá a mínima para a mãe e só quer saber de fazer dinheiro. Mark por sua vez tem uma namorada, Amy, que é blogueira de esquerda, vegetariana, neurótica e, óbvio, também ateia. Josh tem um colega de classe chinês que fica muito impressionado com toda essa história de deus e começa a questionar sua própria falta de jesus no coração. Uma funcionária da cafeteria da universidade é muçulmana e tem um pai muçulmano malvadão que a obriga a sair de casa com o véu, que ela prontamente retira assim que sai da vista do pai.  Tudo muito real.

Sem saber o que fazer, Josh faz o que todo bom cristão faz nessas horas de provação: vai na igreja falar com o todo poderoso. Mas esse resolve se fazer de difícil e manda o pastor bonzinho e amigo no seu lugar. O pastor, Dave, explica para Josh que essa é a sua chance de levar jesus para os seus colegas universitários ateus perdidos. Josh vai pra casa, lê uns versículos bíblicos inspiradores e finalmente decide encarar o filósofo ateu.

Enquanto isso, Amy (a blogueira neurótica) descobre que tem câncer e como ela não tem jesus no coração o mundo se desmorona a sua volta. A namorada de Josh fica cada vez mais puta ao vê-lo tirar tempo precioso dos seus estudos para se preparar para o embate épico com o ateuzão. Assim como Eva, ela fica tentando convencer Josh a assinar a declaração e não arruinar o futuro ambicioso que ela traçou para os dois. Mas Josh aprendeu com o erro de Adão e não vai amolecer.

O pastor bonzinho parece também estar enfrentando provações. Quando o seu amigo e colega pastor Benjamin vem da África lhe visitar, Dave questiona como ele pode estar tão feliz depois de uma viagem de 36 horas. Quanta negatividade Dave! Benjamin é um exemplo tão grande de alegria cristã que mantém constantemente um sorriso irritante estampado em seu rosto e termina todo diálogo com “deus é bom”. Os dois pretendem viajar pra disneilândia mas o carro deles insiste em não arrancar. Mais um teste para a fé de Dave.

Josh começa suas palestras. Os argumentos são os mesmos de sempre e seria perda de tempo retomá-los aqui. O leitor interessado pode consultar os vários debates sobre o tema no youtube, como esseesse e esse. Na vida real debates são exercícios intelectuais onde os oponentes realmente pensam sobre o que estão falando e oferecem argumentos com lógica e evidências. No filme o debate é apenas um ping-pong de citações. Mesmo assim, o professor fica puto com as citações provocativas de Josh e o encara no corredor fazendo mais ameaças, típico bully ateu. Pra piorar a situação, a namorada estressadinha resolve terminar com Josh. Não dá pra saber se por causa do debate ou porque Josh talvez “escolheu esperar“.

Mark, o namorado egoísta, avarento e ateu desumano de Amy resolve dar um pé na bunda dela quando descobre sobre seu câncer. Amy fica com o câncer sozinha e desamparada. Viu no que dá não acreditar em deus Amy! Mas Mark não perde por esperar. A contragosto, ele finalmente decide visitar sua mãe doente que então revela que todo seu sucesso financeiro é obra de satanás. Te fudeu também Mark! Jeffrey vai receber castigo também; sua namorada, Mina a boazinha cristã, se cansa de ser tratada como capacho e dá o fora nele.

Chegamos então ao clímax do filme. Em sua terceira e última palestra, em um momento Davi e Golias, Josh confronta Jeffrey e descobre que ele na verdade odeia deus por não ter salvado sua mãe de morrer quando ele tinha 12 anos. Josh então desfere o golpe mortal: “como você pode odiar alguém que não existe?” Seus colegas se levantam em ecstasy exclamando “deus não está morto” e  convertem-se imediatamente. A muçulmana também se converte para jesus e seu pai muçulmanão a expulsa de casa, cai no chão de joelhos e chora. Depois de muitas tentativas frustradas de fazer o carro pegar, Benjamin, sempre o tipo “copo meio cheio”, decide fazer uma prece antes e quando Dave gira a chave e o carro pega sua fé é imediatamente renovada. É isso aí mesmo; deus não pode curar o câncer ou fazer aleijados andar mas consegue fazer o carro pegar. Desesperado, Jeffrey corre para encontrar Mina que está a caminho de um concerto gospel (que toda cidade parece estar indo) e é atropelado. Os dois pastores estavam por perto e vem socorrê-lo, mas Benjamin alerta que Jeffrey teve suas costelas quebradas, o pulmão perfurado enchendo de sangue e está prestes a morrer. Dave então acha uma boa ideia passar os últimos minutos de vida do cara azucrinando-o com uma ladainha cristã, e Jeffrey, talvez para acabar com essa tortura de uma vez por todas, converte-se e morre. Amy também converte-se, graças aos integrantes da banda gospel que aparentemente não são ateus e oram por ela. A banda gospel sobe ao palco, todo o elenco canta e manda mensagens de celular com os dizeres “deus não está morto”. The end.

O filme se torna mais interessante quando visto como um guia para a maneira de pensar cristã. Aprendemos que cristãos pensam que ateus decidem as coisas por decreto, que não são ateus de verdade e só estão de mal com deus. Que infiéis muçulmanos são do mal a menos que se convertam, que chineses e outros descrentes só são descrentes porque ainda não tiveram a oportunidade de escutar a palavra do senhor, que a fé não pode curar o câncer mas pode fazer o carro pegar. Aprendemos também que cristãos só conseguem lidar com sentimentos de maneira dicotômica: ou tudo é pura felicidade e êxtase (com deus) ou pura tristeza e desespero (sem deus). Enfim, isso só reforça a máxima de que a melhor maneira de se tornar ateu é lendo os textos sagrados, ou no caso, assistindo um filme cristão.

 

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29 Respostas to “Deus continua morto”

  1. homemsemsobrenome 16/08/2014 às 20:39 #

    Cara, MEDO: a única reação que consigo pensar frente a essas coisas.

    Faz uns anos que eu caí na bobeira de assistir o primeiro filme daquela franquia “deixados para trás”, e ele tem o mesmo tom bobo em que basta rezar para o cristianismo que o céu abre as portas para você. Eu tenho medo do tipo de pessoa que esse filme alimenta e para quem é dirigido, pois para acreditar nele é preciso ser tão volátil, tão tolo, que se pode ser conduzido a qualquer coisa.

    • Julia Soares 23/10/2014 às 19:27 #

      Eu concordo totalmente com você, eu me revoltei com esse filme, mas não só pelo filme em sí, mas porque a professora de ensino religioso da minha escola decidiu passar esse filme para os alunos. Eu achei um absurdo ninguém ter se manifestado, no fim conclui que todos os alunos da minha classe tirando eu e uma amiga minha, ja tinham o pensamento que esse filme prega mesmo antes de o assistir.

      • André Luzardo 23/10/2014 às 20:24 #

        Obrigado pelo comentário Julia! Mas veja pelo lado positivo: pelo menos fez tu buscar mais informações sobre o filme e descobrir ainda mais argumentos para debater na próxima vez que algo assim acontecer. Só por curiosidade: a tua escola é pública ou particular?

      • Julia Soares 24/10/2014 às 16:10 #

        Minha escola é particular

      • Tihh Gonçalves 24/10/2014 às 18:12 #

        Se me permitir, gostaria de convidá-la a ler uma resenha minha também.

        http://www.estacao.org/2014/08/resenha-deus-nao-esta-morto/

        Abraços!

  2. Guilherme 16/08/2014 às 23:24 #

    Deus não está morto porque ele nunca esteve vivo, ou sequer existiu!

  3. Lucas Mattos 17/08/2014 às 01:01 #

    Concordo com o texto. Eu que já sofri muito na sala de aula por ser ateu eu vi isso eu ri.. Horrível esse filme cara, sinceramente. Inverte a realidade de uma forma desonesta… Sendo que os ateus que são muito mais perseguidos pelos cristãos… Principalmente no Brasil e não duvido nada que seja assim também no EAU. Mas foi criado por um estúdio cristão né, o que esperar?! Vitimismo pra que… Rs.

  4. Wagner 17/08/2014 às 17:54 #

    Um filme completo de estereótipos, para os dois lados da discussão. Que pinta ateus completamente fora da realidade mas também faz uma imagem dos cristãos completamente destoante da realidade (de uma boa parte dos cristãos, pelo menos.)

  5. Francyne 18/08/2014 às 08:25 #

    Até que onde eu moro não sofro preconceito por ser ateu não, minha mãe não aceita isso de jeito nenhum, mas não me critica. Tenho diversos amigos cristãos e todos aceitam tranquilo (não entramos em discussão sobre isso), ninguém tenta me converter e eu fico muito feliz com isso!

    Mas com esse filme, tenho medo do que pode acontecer com as mentes fracas do pais a fora. Ao contrário do que o filme mostra, eu vejo muito mais ateus felizes sem deus no coração do que cristãos, que estão sempre esperando uma resposta que nunca virá!

  6. F.pimentel 18/08/2014 às 21:35 #

    …eu acredito em um Ser,mas jamais em um suposto deus religioso!

  7. Ingrid D'marcelle Cunha 19/08/2014 às 22:51 #

    Não tô conseguindo acreditar que esse filme é assim, sério. Hahahaha
    Ao mesmo tempo que tô com repulsa de assistir, acho que vou acabar vendo só pra ter certeza que o que você escreveu não foi zueira.

  8. mario 23/08/2014 às 13:25 #

    Na boa, respeito muito a opinião de todos, sou cristão, não critíco nem persigo ateus ou outra religião que não seja a minha, o filme é claro foi feito para um tipo de público, assim como os românticos, os de ação, quem não gosta de drama porque assistiria um? Achei a sua visão um tanto exagerada e até mesmo cínica, mas claro, percebo que você também já se sente perseguido, o que ajuda um pouco no seu julgamento, quanto a milagres eu ja vivi e presenciei alguns pessoalmente. Agora, perseguição ao ateu no Brasil? Desculpa mas chega a ser hilário isso, em um país em que a Dilma provavelmente vai ser reeleita, preconceito e perseguição à algum tipo de raça ou credo com certeza é modismo, nunca vi manisfesto nem mesmo em toscas pixações que comprovasse isso. Minha opinião quanto ao ateísmo é que acho meio sem graça, solitário até, porém é uma escolha, eu escolhi o meu caminho, é justo que os outros escolham também.

    • André Luzardo 23/08/2014 às 15:13 #

      Mario, respeito o seu direito de ter a opinião que quiser sobre qualquer tema, mas isso não quer dizer que preciso respeitar a opinião em si. Assim como os produtores tem todo o direito de fazer um filme propaganda como esse, eu tenho direito de criticá-lo pelo ridículo que é. Pelo menos é assim que deveria ser em um estado democrático e laico, que serve pra proteger tanto ateus como eu quanto cristãos como você. Quanto a perseguição aos ateus ou as crenças não cristãs, concordo com você que a Dilma provavelmente é ateia, mas se ela conseguir se reeleger com certeza não será pelo seu ateísmo e sim porque ela faz tudo o que pode para escondê-lo. Só o fato que o povo brasileiro prefere uma presidente que mente sobre sua crença religiosa já demonstra o nível do preconceito. Some-se a isso todas as brechas de laicidade do estado em favor do cristianismo como isenção de impostos de igrejas, feriados religiosos cristãos, imposição de ensino religioso nas escolas públicas, crucifixos e orações em repartições públicas, etc vê-se logo que o problema é muito maior que preconceito. Já se tornou imposição pura e simples de uma doutrina religiosa pelo estado.

  9. Rafael 24/08/2014 às 08:03 #

    O Brasileiro é um ser bem estranho. Estão reclamando tanto da Marina ser evangélica e poucas pessoas entendem que até hoje os comandantes eram católicos. O que isso tem haver com o programa de governo ? Qual a diferença real da população estar trocando a religião medieval pela sua versão 2.0 ?

    Ateus e agnósticos nunca foram bem vistos por aqui. O filme distorce a realidade do mundo para conseguir mais fies e usa a vitima como arma (ateu). Espero que no Brasil este filme não tenha repercussão

    Ótimo texto, parabéns

  10. Renight 06/09/2014 às 02:30 #

    Sem dúvidas que o filme GOD’S NOT DEAD (Deus não está morto) não passa de uma produção evangélica abaixo dos padrões medíocre recorrente a este tema, com personagens estereotipados e a bíblica disputa do “herói” Davi,neste caso o personagem de um estudante de direito cristão (ou crente), contra o atroz “gigante Golias”, seu professor de filosofia ateu (ou o anticristo). Mas o que mais me impressiona sem duvida são as subliminaridade que pregam a intolerância religiosa e a afirmação da moral através da pífia retórica cristã como se não houvesse-a através da lógica e da ética.

  11. Karol 15/09/2014 às 17:07 #

    Se vocês não acreditam que ele existe, como podem alegar que ele está morto? Automaticamente vocês estão dizendo que ele existe.

    • André Luzardo 15/09/2014 às 17:40 #

      Não pensei que ia ser necessário explicar: é obviamente uma metáfora, uma maneira poética de dizer que deus não existe.

      • Tihh Gonçalves 24/10/2014 às 18:07 #

        hahahhaa, pra tu vê mano!
        Até isso tem que explicar…

    • Gustavo de Almeida Costa 27/10/2014 às 16:43 #

      Olha, primeiramente vc devia olhar a frase original criada por Friederich Nietzsche, pelo oq eu entendi em sua obra, ele queria dizer que as pessoas vão as igrejas por que acham que ele mora lá, escutam toda aquela moral e ensinamento, mas, depois q saiem dela, matam a Deus pelo q prega, que é paz e amor ao próximo, várias pessoas dizem que Nietzsche era ateu, porém acho precipitado que este seja, pois eu tenho em mente q era apenas Deista, negando qualquer religiosidade, as pessoas interpretam totalmente errado oq é ser ateu, oq é comprovado neste filme, nenhum ateu iria dizer q Deus está morto pq não faz sentido, e outra o filme foi feito por pessoas leigas que de tanto que usam está frase por alguém q não era necessáriamente ateu, denominando está frase a ateitas sem mesmo saber o contexto da frase de Nietzsche

      • homemsemsobrenome 28/10/2014 às 14:33 #

        Não é esse o sentido da frase e a morte de deus não é a morte de uma entidade real, mas de um modo de vida em que ela era tida como real, Gustavo. Sobre o ateísmo do Nietzsche, além da própria obra que evita toda ideia de transcendencia, tem cartas em que ele afirma textualmente seu próprio ateísmo, não há espaço para dúvidas quanto a isso.

    • JB Costa 10/01/2015 às 00:08 #

      A frase “Deus está morto” aparece na obra de Nietzsche “Gaia Ciência” e faz uma alusão a uma “morte” histórica. E “assassinado” pela perda de protagonismo das religiões e a ascensão da ciência com seu apanágio maior, o ceticismo.

      “O Homem Louco – […] Não ouvimos o barulho dos coveiros a enterrar Deus? Não sentimos o cheiro da putrefação divina? – também os deuses apodrecem! Deus está morto! Deus continua morto! E nós o matamos! Como nos consolar, a nós assassinos entre os assassinos? O mais forte e mais sagrado que o mundo até então possuíra sangrou inteiro sob os nossos punhais – quem nos limpará este sangue? Com que água poderíamos nos lavar? Que ritos expiatórios, que jogos sagrados teremos de inventar? A grandeza desse ato não é demasiado grande para nós? Não deveríamos nós mesmo nos tornar deuses, para ao menos parecer dignos dele? Nunca houve um ato maior – e quem vier depois de nós pertencerá, por causa desse ato, a uma história mais elevada que toda a história até então” – Nietzsche, Gaia Ciência, §125”

  12. Danielle Dantas 05/01/2015 às 19:35 #

    Eu entendo o motivo de vocês ateus se sentirem perseguidos, ora, em um mundo predominantemente religioso, vocês se tornam uma “pequenissima” minoria.
    Entendo tambem, apesar de ser espirita, o motivo de você (ou vocês se mais algum ateu ler) não acreditarem em algo que nunca foi, e provavelmente nunca será provado. O que eu acho, lendo outros textos seu, é que você trata com um certo descaso e ironia, como se Deus, espiritos, ou qualquer outra forma além de vida fossem completamente impossivel.

    Para esclarecer, sou psicologa.
    Com isto, já fiz cursos que explicam o motivo de acreditarmos em algo além, e está muito ligado com um desejo inconsciente de não morrer, uma especie de proteção à vida, onde a mesma não teria um fim. O ser humano desenvolveu ao longo da evolução uma vontade de lutar pela vida, e as religiões nos dão uma forma de prolonga-la.

    O que eu tenho dificuldade de entender em certos ateus, e especialmente direcionando essa dúvida a você, querido autor deste blog, é em que momento você se percebeu ateu, em que momento você notou que não acredita em nada disso. Questiono isso, pois as religiões acabam sendo impostas pelo convivio social, e eu ainda não conheci nenhum ateu que cresceu em uma familia de ateus, sendo assim, gostaria de conhecer e compreender melhor.
    Acredito que TODOS devemos respeitar as crenças alheias, e até a falta dela, portanto, estou indagando tais questões com todo o respeito possivel, afinal, ninguem aqui é o dono da razão, certo?

    Se puder me responder, podemos seguir um debate. Duas visões completamente opostas 🙂

    Abraços,
    Danielle Dantas.

    • André Luzardo 05/01/2015 às 21:50 #

      Oi Danielle! Deixa eu começar dizendo que, fora durante a infância em colégios religiosos e sem puder me defender, não me sinto perseguido. Ser minoria não me incomoda e tenho meus direitos respeitados no que concerne a lei (a constituição brasileira ainda é, em grande parte pelo menos, laica portanto garantindo a liberdade de crença). Sobre a minha atitude de ironia e descaso, ela não é direcionada à possibilidade da existência do sobrenatural e sim às supostas evidências e argumentos que vêm sendo apresentados desde a antiguidade para provar essa existência. Crianças que avistam sozinhas a presença da virgem maria em um morro em Fátima é uma prova que ela existiu? Aliás virgens tendo filhos, mortos ressuscitando e cobras falando por acaso são coisas para se levar a sério? Não vamos nem perder o nosso tempo discutindo se psicografias, sessões mediúnicas ou materializações provam que espíritos existem, por favor! O que pedimos é que religiosos não insultem a nossa inteligência denegrindo a ciência com esse tipo de “evidências” que provam “cientificamente” suas crenças.

      Quanto a sua pergunta sobre a origem da minha descrença, acho que não houve um momento chave. Apesar de ter estudado em colégio de freiras desde criança, nunca entendi o apelo. Sentava para rezar na missa e não entendia o porque daquilo; eu não sentia nenhuma conexão com divindade alguma. Também nunca gostei de autoridade e isso ajudou a me afastar ainda mais daquelas freiras mandonas e de textos sagrados que me diziam como deveria me comportar. Quando ainda na infância entrei em contato com explicações científicas percebi que essas sim faziam sentido. Dali em diante o meu ateísmo vem se desenvolvendo de maneira proporcional ao meu conhecimento.

      Abraços!

    • JB Costa 10/01/2015 às 00:14 #

      Como psicóloga seria interessante dares uma “espiada” nisso aqui:

    • Gustavo 27/02/2015 às 10:01 #

      Me intrometendo um pouco, no meu caso tornei-me ateu depois de um longo período de baixa religiosidade e um ceticismo crescente, até chegar ao ponto onde eu queria acreditar em um ser superior e em vida após a morte, sem nenhuma religião no caminho. Essa vontade que existisse outra vida ocorria principalmente depois de ver casos trágicos de crianças mortas, que definitivamente acabam com meu dia, semana e sempre que lembro. Mas quanto mais aprendemos sobre a realidade mais percebemos que um deus não é necessário e é pouquíssimo provável. Com o conhecimento científico e nossa moral humanista da atualidade, vemos como livros como a Bíblia e o Corão são imorais e cheios de erros e fantasias delirantes. Se considerarmos o deus cristão plausível, temos que considerar todos os outros deuses já criados plausíveis, além de todos que poderiam existir, assim como todas as criaturas, como fadas, trolls, duendes e infinitas variações que possam ser pensadas pelo homem.

    • Gustavo 27/02/2015 às 10:16 #

      Sobre os ateus em geral, eu percebo que a origem é difusa, assim como a sociedade é difusa. Filhos de pais ateus têm mais chances de serem ateus, claro, mas há ateus que são de famílias muito religiosas, alguns eram eles próprios fanáticos religiosos. A dificuldade de encontrar ateus filhos de ateus, deve-se ao fato de que justamente o ateísmo está crescendo e cada vez mais quem já era ateu não sente mais necessidade de esconder sua descrença. A propósito, somos uma minoria pequena sim, mas talvez maior do que aparenta porque no Brasil ainda há um certo incômodo em ser declarar ateu, dependendo do seu grupo social.

  13. Vagner Rodrigues 12/07/2015 às 17:15 #

    Olá André, cara eu respeito sua opinião, mas trata se apenas de um filme. Ali foram apresentados apenas alguns exemplos de situações que acontecem. Eu sei que esse debate sobre Deus se prolonga muito, e vai bem além de um filme. Só não consigo entender como podemos negar a existência de Deus. Quer dizer que tudo é fruto de um nada? Não, não posso crer assim. Obrigado!

  14. antonio 29/12/2015 às 15:04 #

    como admitirmos que viemos do nada, se somos algo. E nietzche ainda o é. sua obra é. seu pensamento é. como provar seu pensamento? Só pela escrita que não o contem . Que limita o máximo de nossa expressão. o que ele fala é o que pensa e ao mesmo tempo é o que escreve? Se somos o que pensamos que somos, logo somos resultados de um pensar, Quem nos pensou? aguardo tua respostas e reflexão sobre.

  15. Jacques 07/04/2016 às 21:12 #

    Aff. Esse filme é pura propaganda religiosa. Nao tem nada de premissa logica. Claro que faria sucesso. A maioria ainda é alienada.

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