Archive by Author

Quem pode falar sobre discriminação social?

24 set

Faz algum tempo que tenho encontrado pessoas as quais, a fim de defender grupos socialmente discriminados, endossam duas posições:

a) Que somente grupos discriminados podem reconhecer o que é discriminação.

b) Portanto, que somente tais grupos podem fazer ciência a respeito da discriminação

Particularmente, entendo que tais posições são contraditórias, assim, este texto realizará uma crítica dessa contradição e tentará demonstrar como é possível superá-la e fazer ciência objetivamente e independentemente de quem sejamos.

Continue lendo

As forças naturais desconhecidas (trecho) – Camille Flammarion

10 set

Aqui no Brasil Camille Flammarion jamais alcançou a mesma publicidade que Allan Kardec: enquanto todos nós (religiosos ou não) conhecemos bem o nome do fundador do espiritismo, poucos fora dos círculos espíritas hão de se recordar daqueles que estavam ao seu redor. Mas há diversos, e hoje compartilhamos aqui um texto (retirado do excelente Obras psicografadas) de um dos mais polêmicos deles.

Camille Flammarion foi astrônomo e divulgador científico com interesses variados a respeito de literatura e religião, tendo frequentado diversos círculos que realizavam experiências espirituais e também pesquisado longamente o assunto. Por algum tempo, ele fez parte do círculo de pesquisas de Kardec, de quem se tornou próximo, e é especificamente sobre esse período que trata o capítulo de As forças naturais desconhecidas que divulgamos hoje.

Embora possuísse diversos pensamentos e interesses comuns com Kardec, Flammarion tinha também um rigor científico admirável que o levou a fazer boas críticas ao método usado na confecção da codificação espírita e, igualmente, a fazer afirmações somente na medida em que tinha razões para tanto. Várias de suas críticas continuam atuais e interessantes, e a frequência com a qual admite os limites de suas hipóteses é uma bela demonstração de honestidade científica.

Aqueles que têm interesse em história da ciência e da religião, com efeito, encontrarão aí um bom material para o pensamento, quiçá, até divertimento.

Continue lendo

O significado do ceticismo

24 maio

Calvin e a Matematica

O termo ceticismo foi tão largamente utilizado que adquiriu vários significados distintos, alguns até conflitantes entre si, através do tempo. Numa acepção coloquial, ceticismo tem como sinônimos impiedade, postura crítica, cientificismo, e outras coisas que exprimem uma atitude de desconfiança em relação a certas crenças ou pretensas verdades. Seu significado original, contudo, embora mantenha alguma relação com esses termos, fica um pouco obscurecido por eles na medida em que possui especificidades que eles não discriminam.

Sendo assim, sem pretender corrigir a maneira coloquial de entender o conceito, eu gostaria de apresentá-lo de maneira mais estrita, mais próxima desse sentido original ao qual aludi. Minha intenção aqui será expor brevemente o ceticismo filosófico, uma maneira de filosofar criada na Antiguidade que tem grande força ainda hoje. Aliás, é pensando nas correntes mais recentes do ceticismo que escrevo aqui.
Continue lendo

Guia cético para a palestra “A glândula pineal” – Sérgio Felipe de Oliveira

23 nov

Antes de explicar a finalidade deste texto devo dizer que ele é uma homenagem ao melhor blog brasileiro de todos os tempos, o lendário Dragão na Garagem, pois eu, assim como muita gente de bom gosto por aí, li obcecadamente todos os tópicos daquele espaço tão cheio de bom humor e inteligência, fui inspirado por ele e desejei escrever tal como seus autores e ter o domínio dos assuntos que eles tinham. Para a decepção geral daqueles que conheceram o trabalho de Alexandre Taschetto e Widson Porto Reis, no entanto, estou hoje muito aquém disso: meu conhecimento científico está no nível de qualquer pobre vítima da escola pública e escrevo sem aquela simplicidade elegante que tinham os meus inspiradores. Estou entre aqueles que jamais descobriram a utilidade da fórmula de Bhaskara e meu idioma está mais para brasileiro que para português, digamos assim.

Apesar disso, acredito que a motivação dos autores ao denunciar o erro sem recair no proselitismo tolo é a mesma que me acompanha aqui e ambos queremos promover debates sérios a respeito daquilo que conhecemos. Espero que a esse respeito eu possa fazer um trabalho a altura deles.

Continue lendo