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Universidades estão revivendo a noção de heresia

6 dez

A “não discriminação” tornou-se a nova ortodoxia nos centros de aprendizagem que deveriam promover a diversidade de opinião

Por Roger Scruton. Publicado originalmente no jornal The Times.

As religiões proporcionam o sentimento de pertencer a uma comunidade. Elas enchem o vazio no coração com a presença mística do grupo, e se não fornecem esse benefício elas murcham e morrem, como as religiões do mundo antigo durante o período helenístico. É, portanto, parte da natureza de uma religião se proteger de grupos rivais e das heresias que os promovem. Continue lendo

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Políticas públicas após a utopia

17 nov

Por Will Wilkinson, Vice Presidente de Políticas do Centro Niskanen. Publicado originalmente no blog do Centro Niskanen.

As pessoas muitas vezes me perguntam como a filosofia do Centro Niskanen difere do libertarianismo padrão. Normalmente, eu digo algo substantivo e relacionado a políticas, como “Pensamos que o Estado de bem-estar social e os mercados livres funcionam melhor juntos e que a hostilidade ao ‘Estado grande’ pode ​​ser contraproducente e nos deixa com menos liberdade”, ou algo assim. Esse é o tipo de contraste que as pessoas geralmente estão procurando. Mas eu nunca fico realmente feliz deixando isso assim.

Por que não? Porque esse tipo de resposta é realmente bastante superficial. Não chega ao centro da questão. Por exemplo, não abarca o que considero ser a natureza do erro intelectual envolvido na rejeição libertária padrão do Estado de bem-estar social. Há uma questão intelectual mais profunda sobre como teorizar sobre política, e não tem nada em particular a ver com o libertarianismo. Tem a ver com a utilidade de algo que os filósofos políticos chamam de “teoria ideal”. Continue lendo

Quão confiáveis são os exames de DNA e outros de local de crime?

18 jun

O sistema de justiça criminal tem um problema chamado criminalística. Essa foi a mensagem que ouvi no Forensic Science Research Evaluation Workshop, nos dias 26 e 27 de maio na AAAS (American Association for the Advancement of Science) em Washington, DC. Eu fiz uma palestra sobre pseudociência, mas em seguida ouvi com preocupação como os muitos campos da ciência forense que eu acreditava serem confiáveis (DNA, impressões digitais, etc) na verdade utilizam técnicas não confiáveis ou não testadas e apresentam inconsistências entre avaliadores de evidências. Continue lendo

Ceticismo e Política

23 jan

Por Barry Fagin. Publicado originalmente na Skeptical Inquirer em Maio/Junho de 1997. 

Qual é a conexão entre ceticismo e política? Quais são as políticas apropriadas para um cético? Ser cético dita automaticamente a perspectiva política de alguém, ou há pontos de vista alternativos consistentes com o ceticismo?

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Em defesa do discurso de ódio

19 dez

Artigo da revista The Economist, publicado em 17/12/2016. Traduzido por André Luzardo.

Criminalizar a linguagem ofensiva só empodera os intolerantes

GEERT WILDERS, um político holandês, diz algumas coisas horríveis, inflamatórias. Ele chamou o Islã de “ideologia fascista” e se referiu a Muhammad, profeta do Islã, como “um demônio”. Ele também não é amigo da liberdade de expressão: quer proibir não só o Alcorão, mas também pregar em qualquer língua que não seja o Holandês. A The Economist deplora seus pontos de vista; mas ele deve ser autorizado a expressá-los. Continue lendo

Grupo anti-OGM ataca o Aedes do bem

12 fev
A Oxitec, uma empresa britânica, vem testando no Brasil uma maneira de controlar a população do Aedes aegypti usando mosquitos machos geneticamente modificados.  A ideia é que esses machos quando soltos se reproduzirão com fêmeas no meio ambiente produzindo crias inviáveis. A técnica usada é a transgenia. Um gene produtor da proteína tTA é inserido no DNA do mosquito. Essa proteína desregula a expressão de outros genes  causando o mau funcionamento do organismo e por fim a morte. Porém o gene produtor da tTA pode ser “desativado” pela presença do antibiótico tetraciclina. Esse detalhe é importante, pois usando tetraciclina é que se garante que os mosquitos transgênicos machos consigam se desenvolver normalmente em laboratório até a soltura. A cria fecundada pelo mosquito transgênico herda o gene da tTA do pai, mas como ela cresce no meio ambiente (e não no laboratório) não é inoculada com tetraciclina e portanto não consegue se desenvolver. Além disso, a fêmea do Aedes geralmente se reproduz somente uma vez, garantindo que se ela o fizer com o macho transgênico toda sua prole será eliminada.
A ideia tem tudo para dar certo. A técnica transgênica é bem estabelecida, a tática ataca especificamente o Aedes sem destruir ou contaminar outros organismos como inseticidas inevitavelmente fazem e o mosquito macho transgênico não pica portanto não transmite doenças. Modelos matemáticos podem ser usados para determinar quantos e onde soltar os mosquitos transgênicos, minimizando o custo e maximizando o impacto. Deveria portanto ter todo o apoio da sociedade, certo?
Errado. A BBC Brasil publicou ontem uma matéria mostrando que um grupo de cientistas e ambientalistas se colocou contra os testes e está tentando barrar a ideia. Quem são e quais são seus argumentos?

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Ponto de vista: por que devemos defender o direito de ser ofensivo

26 out

Por Roger Scruton, escritor e filósofo britânico.

Para pessoas como eu, educadas na Grã-Bretanha do pós-guerra, a liberdade de expressão tem sido uma firme premissa do modo de vida britânico. John Stuart Mill expressou o ponto:

O mal peculiar em silenciar a expressão de uma opinião é que isso rouba a raça humana; a posteridade, bem como a geração existente; aqueles que discordam da opinião, ainda mais do que aqueles que a defendem. Se a opinião é certa, eles são privados da oportunidade de trocar o erro pela verdade; se errada, eles perdem, um benefício tão importante, a percepção mais clara e a mais viva impressão da verdade, produzida por sua colisão com o erro.

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