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Três ideias da probabilidade e estatística para céticos

13 fev

O ceticismo pode ser considerado um posicionamento filosófico que advoga pelas limitações do conhecimento, seja em razão da inacessibilidade do seu objeto ou das próprias limitações da mente humana. Na ciência o ceticismo está relacionado ao apreço pelo teste da confiabilidade de determinadas crenças, através de uma investigação sistemática segundo o método científico e posterior descoberta de evidências empíricas que corroboram ou contestam tais crenças. Já conforme o senso comum, uma pessoa cética seria alguém que demonstra atitudes questionadoras. Sendo assim, aquele que busca emular o pensamento cético na própria vida pode fazer uso de alguns conceitos da matemática para avaliar quaisquer crenças ou afirmações. Dois ramos da área mostram-se fontes especialmente úteis para heurísticas (regras de bolso) com essa finalidade: a probabilidade e a estatística. Afinal, tal como escreveu Garrett Hardin, as origens das ciências mostram que uma atitude respeitosa diante de razões, proporções e taxas levaram à algumas das maiores descobertas da humanidade.

Portanto, neste artigo quero construir o alicerce da discussão apresentando as diferenças fundamentais entre probabilidade e estatística. A partir disso, três ideias específicas são exploradas com a finalidade de aprimorar o repertório analítico do leitor, sendo elas: i) o raciocínio bayesiano, uma heurística que consiste em estimar probabilidades e revisá-las diante de novas informações e evidências; ii) o conceito de risco, sua relação com probabilidades, quais as consequências da concretização dessas e como distinguir risco e incerteza; iii) e as metaprobabilidades, em outras palavras, o quão confiáveis são determinadas estimativas probabilísticas.

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O dia em que Russell desbancou Marx

23 jan

“Marx crê, é verdade, que capitalismo produz miséria, enquanto comunismo produzirá felicidade; ele odeia o capital com um ódio que frequentemente vicia sua lógica; mas repousa sua doutrina, não sobre a ‘justiça’ pregada pelos utopistas, não sobre o amor sentimental do homem, quem ele nunca menciona sem um escárnio imensurável, mas sobre a necessidade histórica somente, sobre o cego crescimento das forças produtivas, que deve, no fim, engolir o capitalista que foi compelido a produzi-las.”


Marx and the Theoretical Basis of Social Democracy, Bertrand Russell, 1896.

Essa observação, “[…] ele odeia o capital com um ódio que frequentemente vicia sua lógica […]”, foi feita por Bertrand Russell¹, filósofo e matemático britânico e se refere a Karl Marx, um dos notórios representantes do pensamento filosófico ocidental. Especificamente, Russell o analisava para investigar a validade de sua teoria econômica. Segundo ele, essa teoria, cujos pontos cardeais são a doutrina da mais-valia e a doutrina da concentração de capital, é falsa. Esses pontos não possuem relação de dependência, pelo contrário, a mais-valia aparenta ser uma tentativa de provar a maldade do capital, deixando de lado a consistência lógica e contradizendo a doutrina da concentração de capital. Apesar de seus vícios, a crença nas ideias econômicas de Marx é real, assim, obtêm importância prática, além de teórica e no limiar de ambos Bertrand Russell desvenda a lógica de Karl Marx.

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O significado do ceticismo

24 maio

Calvin e a Matematica

O termo ceticismo foi tão largamente utilizado que adquiriu vários significados distintos, alguns até conflitantes entre si, através do tempo. Numa acepção coloquial, ceticismo tem como sinônimos impiedade, postura crítica, cientificismo, e outras coisas que exprimem uma atitude de desconfiança em relação a certas crenças ou pretensas verdades. Seu significado original, contudo, embora mantenha alguma relação com esses termos, fica um pouco obscurecido por eles na medida em que possui especificidades que eles não discriminam.

Sendo assim, sem pretender corrigir a maneira coloquial de entender o conceito, eu gostaria de apresentá-lo de maneira mais estrita, mais próxima desse sentido original ao qual aludi. Minha intenção aqui será expor brevemente o ceticismo filosófico, uma maneira de filosofar criada na Antiguidade que tem grande força ainda hoje. Aliás, é pensando nas correntes mais recentes do ceticismo que escrevo aqui.
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