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O SUS e o uso da verba pública para tratamentos enganosos

22 maio

Atenção: este artigo não apresenta argumentos pró ou contra a existência do SUS, simplesmente dá como fato que ele existe e tem o objetivo de prezar pela saúde da população brasileira.

No final de março o Serviço Único de Saúde (SUS) divulgou que o Ministério da Saúde (MS) incluiu “14 novos procedimentos à Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PICs)”, e que agora o SUS oferece um total de 19 dessas práticas, entre elas homeopatia, acupuntura, medicina antroposófica, fitoterapia, crenoterapia, ayurveda, dança circular, quiropraxia, yoga e  reiki, shantala, terapia comunitária integrativa e yoga. Confesso que desconheço a maior parte dessas práticas, então vou me focar em uma que já estudei: a homeopatia. Continue lendo

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Quem pode falar sobre discriminação social?

24 set

Faz algum tempo que tenho encontrado pessoas as quais, a fim de defender grupos socialmente discriminados, endossam duas posições:

a) Que somente grupos discriminados podem reconhecer o que é discriminação.

b) Portanto, que somente tais grupos podem fazer ciência a respeito da discriminação

Particularmente, entendo que tais posições são contraditórias, assim, este texto realizará uma crítica dessa contradição e tentará demonstrar como é possível superá-la e fazer ciência objetivamente e independentemente de quem sejamos.

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A incrível contribuição dos gatos amanteigados para a ciência física

17 set

Em física, chama-se “gato amanteigado” um tipo particular de experiência de pensamento. Uma experiência é dita de pensamento quando ela não requer observação real. Mas chega de definições abstratas, vamos explicar concretamente esses gatos amanteigados.

Vamos supor duas leis da natureza, supostamente consideradas válidas no momento que iniciamos essa experiência de pensamento: A primeira lei explica que um gato sempre cai nas suas pernas. A segunda nós ensina que canapés amanteigados caem sempre do lado da manteiga, principalmente se houver um carpete caro no chão. Vamos agora fazer uma experiência de pensamento puro, a partir da pergunta seguinte: Se colarmos um canapé amanteigado nas costas de um gato (com o lado amanteigado por cima), e se jogarmos esse sistema de uma altura razoável, como cairá no chão? É fácil entender que chegamos a uma contradição. Uma das duas leis, pelo menos, não será verificada pela experiência. A partir desse momento, temos várias possibilidades que nós levarão a um progresso científico: Continue lendo

As forças naturais desconhecidas (trecho) – Camille Flammarion

10 set

Aqui no Brasil Camille Flammarion jamais alcançou a mesma publicidade que Allan Kardec: enquanto todos nós (religiosos ou não) conhecemos bem o nome do fundador do espiritismo, poucos fora dos círculos espíritas hão de se recordar daqueles que estavam ao seu redor. Mas há diversos, e hoje compartilhamos aqui um texto (retirado do excelente Obras psicografadas) de um dos mais polêmicos deles.

Camille Flammarion foi astrônomo e divulgador científico com interesses variados a respeito de literatura e religião, tendo frequentado diversos círculos que realizavam experiências espirituais e também pesquisado longamente o assunto. Por algum tempo, ele fez parte do círculo de pesquisas de Kardec, de quem se tornou próximo, e é especificamente sobre esse período que trata o capítulo de As forças naturais desconhecidas que divulgamos hoje.

Embora possuísse diversos pensamentos e interesses comuns com Kardec, Flammarion tinha também um rigor científico admirável que o levou a fazer boas críticas ao método usado na confecção da codificação espírita e, igualmente, a fazer afirmações somente na medida em que tinha razões para tanto. Várias de suas críticas continuam atuais e interessantes, e a frequência com a qual admite os limites de suas hipóteses é uma bela demonstração de honestidade científica.

Aqueles que têm interesse em história da ciência e da religião, com efeito, encontrarão aí um bom material para o pensamento, quiçá, até divertimento.

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Hipnose, sugestão e picaretagem

17 nov

“Tá amarrado, tá amarrado!” grita o pastor e os braços da mulher se contorcendo freneticamente no chão fecham-se obedientemente por trás das suas próprias costas. O público se agita e o pastor pede calma, “o demônio tá amarrado, tá furioso mas tá amarrado!” A mulher agora sentada no chão faz cara feia, bufa, esbraveja mas permanece com os braços por trás das costas como se estivesse realmente amarrada. “Eu vou assoprar da minha boca,” comanda o pastor aos berros, “e vai sair o fogo do espírito santo, e ele vai cair: BUUUUUUUUUU!!” A mulher cai no chão, esperneando loucamente. Quando o pastor toca na sua cabeça e grita “em nome de Jesus, SAI!” ela prontamente se acalma, relaxa os braços, volta a si e levanta aos aplausos e gritos de “glória a deus” da platéia. Continue lendo

Onde estão as premissas injustificadas da ciência?

18 set

Um amigo me sugeriu comentar o texto As Premissas Injustificadas da Ciência de autoria de Eduardo Pinheiro. O texto é longo, o autor toca em muitos pontos e parece ativamente evitar tomar uma posição clara sobre qualquer um deles. Pelo que pude entender, o texto é uma tentativa de criticar a ciência, de demonstrar que existem tanto viéses intrínsecos quanto paradigmas filosóficos que impedem os cientistas de descobrir a verdade. Acho que pude identificar dois argumentos básicos que sustentam toda essa crítica: parece basicamente um mix de argumentos pós-modernos (a verdade não existe, os cientistas a constroem com base em seus preconceitos) com misticismo espírita (dualidade alma-corpo ou imaterialismo). Continue lendo

Cura do HIV

25 jul

Pesquisa faz levantamento de dados e encontra dois casos de transplante de medula óssea em que o procedimento pode ter contribuído para reduzir a taxa de vírus circulante de HIV em dois pacientes comprovadamente infectados

Esse seria um título justo para a matéria da Folha de São Paulo, na qual cita: Terapia contra câncer deixa duas pessoas infectadas sem HIV. A diferença clara entre os dois é que a táctica jornalística para chamar a atenção do leitor distorce totalmente a informação real. Não é, como muitos acham, apenas uma licença poética para dizer uma novidade cientifica pretensamente chata.

Vamos analisar o que diz o Jornal Folha de São Paulo, trecho ” ficaram aparentemente livres do vírus”. Agora imagine um Oncologista dizendo para o Paciente com câncer no Cérebro : “aparetemente você não tem mais células cancerosas no Cérebro logo você está livre do câncer”. Soaria bem estranho para qualquer um. Por isso que na ciência é importante comparar e buscar as informações da fonte original. Continue lendo