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O medo irracional dos pesticidas

3 jul

O projeto de lei que trata sobre o uso dos pesticidas (PL 6.299/2002) suscitou reações extremamente negativas na mídia, assim como várias alegações sobre o uso e efeito destas substâncias que, se verdadeiras, seriam extremamente alarmantes. O El País chamou o projeto de lei de “operação para afrouxar ainda mais a lei de agrotóxicos” em uma matéria repleta de críticas negativas e alegações fortes como a de que o Brasil é “bastante permissivo” com agrotóxicos, permitindo, segundo ela, muitos que já foram proibidos em outros países. A BBC News Brasil, geralmente bem moderada e embasada (mas nem sempre), publicou uma matéria um pouco mais imparcial mas ainda assim com uma manchete bastante alarmista: “na contramão de Europa e EUA, Brasil caminha para liberar mais agrotóxicos“. Organizações de ativistas apelidaram a proposta de “PL do veneno” e publicaram uma análise onde afirmam, entre outras coisas, que o Brasil “é o líder do ranking mundial de consumo de agrotóxicos” e conclui que com a nova lei “a saúde humana e o meio ambiente saem perdendo, enquanto as empresas de agrotóxicos e os grandes produtores agrícolas aumentam seus lucros”. Continue lendo

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Políticas públicas após a utopia

17 nov

Por Will Wilkinson, Vice Presidente de Políticas do Centro Niskanen. Publicado originalmente no blog do Centro Niskanen.

As pessoas muitas vezes me perguntam como a filosofia do Centro Niskanen difere do libertarianismo padrão. Normalmente, eu digo algo substantivo e relacionado a políticas, como “Pensamos que o Estado de bem-estar social e os mercados livres funcionam melhor juntos e que a hostilidade ao ‘Estado grande’ pode ​​ser contraproducente e nos deixa com menos liberdade”, ou algo assim. Esse é o tipo de contraste que as pessoas geralmente estão procurando. Mas eu nunca fico realmente feliz deixando isso assim.

Por que não? Porque esse tipo de resposta é realmente bastante superficial. Não chega ao centro da questão. Por exemplo, não abarca o que considero ser a natureza do erro intelectual envolvido na rejeição libertária padrão do Estado de bem-estar social. Há uma questão intelectual mais profunda sobre como teorizar sobre política, e não tem nada em particular a ver com o libertarianismo. Tem a ver com a utilidade de algo que os filósofos políticos chamam de “teoria ideal”. Continue lendo

O SUS e o uso da verba pública para tratamentos enganosos

22 maio

Atenção: este artigo não apresenta argumentos pró ou contra a existência do SUS, simplesmente dá como fato que ele existe e tem o objetivo de prezar pela saúde da população brasileira.

No final de março o Serviço Único de Saúde (SUS) divulgou que o Ministério da Saúde (MS) incluiu “14 novos procedimentos à Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PICs)”, e que agora o SUS oferece um total de 19 dessas práticas, entre elas homeopatia, acupuntura, medicina antroposófica, fitoterapia, crenoterapia, ayurveda, dança circular, quiropraxia, yoga e  reiki, shantala, terapia comunitária integrativa e yoga. Confesso que desconheço a maior parte dessas práticas, então vou me focar em uma que já estudei: a homeopatia. Continue lendo

O Efeito Placebo e as Terapias Alternativas

7 abr

A medicina alternativa é um grande negócio, e como não é regularizada devidamente, estatisticamente é difícil de se chegar a qualquer número. Somente no mercado do Reino Unido acredita-se que movimente por volta de $ 340 milhões, visto 1 em 5 adultos serem consumidores. Além disso, alguns tratamentos (particularmente a homeopatia) são disponibilizados pelo serviço de saúde nacional. Em todo o mundo, de acordo com uma estimativa de 2008, seu valor de mercado chega a $ 60 bilhões. Continue lendo

Racismo por todos os lados

16 dez

Ainda habitamos a pré-história da nossa raça, e ainda não nos familiarizamos com as imensas descobertas sobre a nossa própria natureza e sobre a natureza do universo. O desenrolar da meada do genoma efetivamente aboliu o racismo e o criacionismo, e os resultados surpreendentes do Hubble e de Hawking nos permitiram estimar as origens do cosmos. Mas quão mais viciante é o familiar e velho lixo sobre tribos e nações e fé. (Hitchens, 2001)

Meu tratamento sobre a questão do racismo foi um exemplo do fascínio que esse tópico ainda suscita: em apenas um dia o Blog Cético recebeu quase 4 mil acessos, sendo que normalmente os acessos diários não passam de 20 ou 30. Como não poderia deixar de ser, o post também recebeu fortes objeções nos comentários do blog, no facebook e em conversas pessoais, o que é muito positivo. Continue lendo

A ascenção da consciência racial fomenta o racismo?

1 dez
"A mistura das raças" de José Wasth Rodrigues (1891-1957).

“A mistura das raças” de José Wasth Rodrigues (1891-1957).

Ultimamente tem se tornado moda criticar a ideia de que o Brasil é uma democracia racial. Jornalistas e intelectuais preocupados com o social fazem malabarismos para ressaltar a cor e reinterpretar todo tipo de problema pela ótica do confronto racial. Policiais negros batem em banhistas negros, e representantes políticos instituem um passe para pobres pretos, mestiços e brancos (ou seja, a cor é irrelevante, menos para a jornalista que se sente obrigada em mencioná-la) retornando ao apartheid. Alega-se que a sociedade brasileira é essencialmente racista, embora muitas vezes de forma implícita, e que é nosso dever trazer isso à tona e lidar com o problema. Diz-se que “as atuais classes dominantes brasileiras, feitas de filhos e netos de antigos senhores de escravos, guardam, diante do negro, a mesma atitude de desprezo vil,” em uma interminável batalha de brancos versus negros. Cotas raciais vêm sendo estabelecidas em universidades públicas, e agora talvez também no serviço público. Alega-se que estas medidas servem como reparação à injustiças passadas, nomeadamente a escravidão e o genocídio indígena. Tudo isso é defendido com base nas melhores intenções e não há razão para duvidar delas. Mas será que a sociedade brasileira é mesmo mais racista que as outras? Será que essa nova “consciência racial” está realmente diminuindo o racismo? Ou poderia estar piorando?

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